De: Assunta Viola
Data: Sunday, April 15, 2001 1:09 AM
Assunto: Rede de Planejadores, arquitetos e as cidades

Prezado professor Lúcio, sou arquiteta de São Paulo e concordo com o senhor quando diz da importância do planejamento urbano, mas gostaria de perguntar-lhe em que medida os arquitetos de um modo geral - os grandes e os pequenos - têm acesso à participação dessa tentativa coletiva. Não pergunto se há algum grupo de trabalho ou coisa do tipo, mas pergunto em que medida, institucionalmente falando, os arquitetos podem participar? Não haveria alguma forma de inserir os arquitetos mais a fundo na construção das cidades brasileiras, mais do que vem sendo feito? Gostaria de saber, por exemplo, de todos os concursos de arquitetura que são feitos no Brasil, quantos realmente são construídos? E se não o são, por quê? e então, por que são elaborados? Gostaria de fazer uma proposta. Se ao invés dos concursos que são promovidos pelos IABs, geralmente de idéias, tivéssemos realmente concursos de arquitetura, onde houve preliminares concretíssimas para a formulação das propostas e não editais que nos fazem quase que inventar um programa, inventar uma justificativa, inventar uma necessidade, e que esses concursos fossem obrigatórios - ou pela municipalidade ou pelo Estado - promovidos tanto pelo projetos do poder público como pela iniciativa privada a partir de um determinado valor de custo da obra e que tivessem um raio de atuação grande (público atendido (hospitais, shoppings, igrejas, escolas, p.e.)? Não uma licitação, que apenas avalia preço, mas no caso de projetos de arquitetura, preço e projeto juntos e não projeto depois do preço! Uma obra custa a partir do projeto até a conclusão, e um bom projeto pode muito bem levar a soluções mais racionais, funcionais, econômicas e belas!!!!!!!!!!!!! Creio, professor Luiz, que são muitos os arquitetos que poderiam contribuir para a melhora do espaço físico edificado das cidades e que não o fazem por falta absoluta de meios institucionalizados de intervenção. Mas apoio sua iniciativa e suas idéias, esperando que de alguma forma possa ser discutida a implantação concreta dessas possibilidades.

[Assunta Viola, arquiteta, São Paulo]