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1, vol. 9, abr. 2001, p. 017 Campo Grande MS Brasil |
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Nos
trilhos da história |
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Os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil tem em Mato Grosso do Sul um significado muito especial. A construção de uma linha ferroviária em princípios do século XX foi um dos fatores determinantes da formação histórica de nosso estado, aplainando o terreno para uma ocupação mais intensiva e expressiva desta parte da fronteira Oeste brasileira. Além da gente que veio atrás dos trilhos, primeiro para assentá-los e depois para percorrê-los e fixar-se, e aqui deitar suas raízes, chegaram também novos impulsos de desenvolvimento econômico, usos, costumes e culturas diversas acabando por formar a sociedade plural que hoje caracteriza o sul-mato-grossense. Nesses trilhos deslizaram, ainda, as perspectivas de futuro de nossa região, as esperanças de uma nova vida e de muitas oportunidades para migrantes que vislumbraram um novo Eldorado neste extremo oeste, bem como viajaram através do estado e do Pantanal os sonhos de gente humilde, de trabalhadores, de empresários, de violeiros, de poetas e de fugitivos das guerras... O trem da Noroeste do Brasil, que correu para a frente da história, hoje é uma pálida e triste imagem de um tempo de muitas promessas. Mesmo enquanto símbolo de uma fase histórica de grande significado para a região fronteiriça, representando um episódio emblemático na formação do sul-mato-grossense, o patrimônio da NOB está sucateado e vitimado pelo perverso processo de privatizações que assolou recentemente nosso país. Agora, cabe aos sul-mato-grossenses como dever de cidadania, unirem-se numa corrente de defesa da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, como marco de nossa história. É o momento de alterar o quadro letárgico de discussão e de proposição sobre o futuro de mais de 1300 km de linhas férreas, mais de 70 estações ferroviárias, inúmeras casas, oficinas, galpões de Três Lagoas a Corumbá e de Campo Grande a Ponta Porã, que traduzem grande parte da história do progresso, da riqueza e da cultura de Mato Grosso do Sul. |
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Nesse sentido, estamos fundando uma entidade não-governamental, com sede e foro nesta cidade, doravante denominada Ação Cultural Ferroviária – FERROVIVA, que defende os seguintes objetivos: 1. Estudar alternativas técnicas, ambientais e de planejamento, bem como de preservação do patrimônio cultural voltados para os espaços e edifícios ferroviários de Mato Grosso do Sul, desenvolvendo propostas de utilização da malha ferroviária, das estações, dos edifícios residenciais e de apoio logístico existentes; 2. Difundir atividades educativas, culturais e científicas realizando estudos e pesquisas, conferências, seminários, cursos, treinamentos, editando publicações, vídeos, processamento de dados, assessoria técnica nos campos cultural, educacional e de planejamento urbano; 3. Estimular a participação da comunidade sul-mato-grossense na discussão dos problemas relacionados à ferrovia em Mato Grosso do Sul; 4. Promover intercâmbio com entidades congêneres e bem assim as de preservação e defesa do patrimônio cultural, universitárias, públicas e privadas, administrações municipais e outros; 5. Defender o patrimônio ferroviário de Mato Grosso do Sul e propor alternativas de uso e ocupação, fomentando atividades culturais e turísticas; 6. Articular com outras entidades de Mato Grosso do Sul a retomada do uso do transporte ferroviário no estado e a sua utilização beneficiando as populações das cidades compreendidas no eixo da malha ferroviária; 7. Defender a aplicação efetiva da lei n. 1735, de 26 de março de 1997, que dispõe sobre o tombamento dos sítios históricos localizados, desde Três Lagoas até Corumbá e de Campo Grande até Ponta Porã, consistentes das estações ferroviárias da antiga NOB e seus respectivos entornos históricos; 8. Defender a transformação do trecho urbano da Estrada de Ferro, compreendido entre a estação Manoel Brandão e a estação Indubrasil, em transporte de massa, moderno, rápido e alternativo, para atender a circulação de milhares de campo-grandenses. |
Ferroviva.
Ação Cultural Ferroviária |
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Ângelo Marcos Arruda é arquiteto, urbanista e professor da UNIDERP. Trabalhou com o arquiteto Jurandir Nogueira nos anos de 1980 a 82 |
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| Minha Cidade 017 - abril 2001 | ||||||||||||||
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