De: Eloísa Petti Pinheiro
Data: Sunday, July 15, 2001 2:17 PM
Assunto: Itacuruçá

Sérgio, Fiquei muito emocionada ao ver o belo artigo que você escreveu sobre a estação de Itacuruçá. Principalmente porque vivi muitos daqueles momentos que você descreveu, além de outros, que dariam vários artigos. Como esquecer a litorina, o macaquinho e o trem elétrico, que muitas vezes me levaram do Rio até Itacuruçá para iniciar amis um período de férias cheia de expectativa de reencontrar os amigos e aproveitar o máximo de tudo. Como perder a emoção que era ir todas as noites, às 21:00hs, para ver quem iria desembarcar na estação!!! E sentar em frente ao Varejo, jogando conversa fora com os amigos, até que todos tivessem desembarcado e o trem tivesse seguido seu caminho para Muriqui e etc. Passei grande parte da minha vida junto a esta estação, pois a casa de meus avós era, e ainda é, ao lado da estação, e todas as minhas férias continuo a estar ali, e ver a estação, hoje o Centro Cultural Odejaime Holanda, em homenagem ao grande jornalista, editor do Jornal Nacional/Globo durante anos, até sua morte em 1999. E tenho muito orgulho deste Centro Cultural, que faz todo o possível para resgatar a história da cidade, que tem um dos entornos paisagísticos mais fantásticos que conheço, e também de promover artistas locais. A biblioteca, com a qual minha família contribui constantemente, ajuda os alunos das duas escolas locais a conhecerem mais o mundo e se interessarem pela leitura. Junto a tudo isto, ali se encontram os melhores amigos de toda a minha vida. Amigos que conheci na primeira infância, e que ao longos de mais de 30 anos, continuamos a manter a mesma amizade. Também sou arquiteta, formada pela UFRJ, também tenho mestrado em Conservação e Restauro, só que pela UFBA e doutorado em História da Cidade, pela UPC de Barcelona. Hoje moro em Salvador (e sinto falta de Itacuruçá por perto), e sou professora da FAUFBa, da graduação e da pós-graduação, onde ensino História da Cidade. Mas Itacuruçá continua a dominar minhas emoções, e gostaria de entrar em contato com você, pois o tema me interessa muitíssimo. Em agosto estarei em Itacuruçá, mais precisamente na casa de madeira que está ao lado do armarinho do Jorge, ao lado da estação de trens. Espero um contato seu

[Eloísa Petti Pinheiro é arquiteta, mestre em Conservação e Restauro pela UFBA e doutor em História da Cidade pela UPC de Barcelona]