De: Ricardo Rocha
Data: Wednesday, December 05, 2001 1:16 PM
Assunto: Centroshopping

Fabiano, em três meses, já é a segunda vez que Vitória aparece em Minha Cidade. Curioso, agora que ela é minha cidade apenas na saudade, também é a segunda vez que escrevo sobre ela. Recentemente, vi um cartaz mandado aqui pro CAU/ UFSM sobre o concurso nacional para a orla de Itaparica. Achei uma boa. É isso mesmo que falta no Brasil, um maior número de concursos ABERTOS, mesmo com todos os problemas que envolvem e que todos conhecemos. Também vi ou ouvi, agora não me lembro onde ou de quem, acho que foi num jornal daí, que haveria outro concurso público para o Centro de Vitória. O que me parece bem, desde que a equipe - ou equipes, por que não? - vencedora(s) trabalhem em conjunto com o corpo técnico da prefeitura. Quanto ao "centroshopping", sem maiores comentários. Seu artigo vai direto ao ponto: não se trata de obra de arquitetura, mas de "simples obra de serralheria" e, acrescento, mal feita; o deck é um total absurdo: a vista é a MESMA desde a calçada junto ao terreno ou desde a calçada da beira-mar - e privatizar área (ainda que aérea) pública sem que a cidade ganhe nada em troca (mirantes existem aos montes em Vitória), na minha opinião, é crime; trasformar a frente para a praça Getúlio Vargas em área de carga e descarga, não é apenas um erro elementar de implantação, mas um indício claro das intenções do projeto: fechar-se para a cidade, para o espaço de todos, para o espaço público - de resto tratado como "resto" - criando uma ilha da fantasia artificial, climatizada e controlada, como você chama atenção e pensada para a diversão/ consumo de uns poucos deslumbrados. Só uma questão. Como se sabe, a arquitetura - e os arquitetos - não tem o poder demiúrgico de resolver probelmas sociais. O projeto de requalificação urbana tem que estar inserido, portanto, num projeto social. Abraço

[Ricardo Rocha é arquiteto e professor, Departamento de Arquitetura, UFSM, Santa Maria RS]