| De:
Mário Yoshinaga
Data: Friday, November 26, 2004 11:48 AM
Assunto: Petrobrás-Infraero-Karen Barbosa
Karen Barbosa, obrigado
pelos comentários sobre o artigo do Aeroporto. Continuo estudando
a questão do Aeroporto de Guarulhos. Recentemente voltei a reunir
alguns dados sobre o aeroporto, que estará no livro sobre Infra-estrutura
Urbana ( é o título do livro) que escrevi em co-autoria
com o Prof. Juan Luis Mascaró. Está na gráfica
de Porto Alegre, e deverá ser lançado no início
de 2005. Trato das grandes infra-estruturas urbanas, e tomo como exemplos
o Aeroporto metropolitano de São Paulo, o Metrô-SP, entre
outras macro estruturas. Antes que me esqueça, não tenho
bibliografia atualizada sobre o assunto que você enfoca, mas posso
dar algumas pistas. Tente encontrar manuais de elaboração
de relatórios de impacto ambiental, como "The environmental
Impact Handbook" de Robert W. Burchell, Center for Urban Policy
Research, Rutgers - the State University, New Burnswick, New Jersey,
procure as publicações do Urban Land Institute ( talvez
o Sinduscon tenha um contato com esse Instituto), e leia alguns relatórios
EIA-RIMA de obras como o Rodoanel ( disponível na Dersa, talvez
até no site), e o que existe disponível no Ministério
do Meio Ambiente. Voltando ao aeroporto, no mês passado encaminhei
uma carta ao superintendente regional sudeste, Miguel Choueri, pelo
IAB-Guarulhos, colocando a posição da entidade frente
aos planos de expansão das pistas e terminais do aeroporto, considerando
também que o Plano Diretor de Guarulhos está na fase final
para aprovação pela Câmara de Vereadores. O documento
é público, e porisso envio como anexo. Espero que a tenha
ajudado. Abraços, e sucesso.
Prof.Dr. Arq. Mário Yoshinaga
[Mário Yoshinaga é
autor do artigo original dessa discussão]
ANEXO
Guarulhos, 25
de outubro de 2004.
Para: Infraero -Superintendência Regional do Sudeste/ Guarulhos
De: IAB- Instituto de Arquitetos do Brasil / Guarulhos
Assunto: Integração do Aeroporto com o Município
de Guarulhos-SP
Senhores,
O IAB-Guarulhos na
reunião de sua diretoria ocorrida no dia 18 de outubro de 2004,
resolveu divulgar a sua posição frente aos acontecimentos
e atividades em curso para o desenvolvimento da região do aeroporto,
e que tem importantes reflexos na qualidade urbana de Guarulhos.
Considerando que:
1) Os cerca de 15km2
do Aeroporto representa cerca de 10% da área urbana da cidade;
2) Dos 21 mil empregos
diretos, cerca de 50% não são de moradores do município;
3) Apenas cerca de
10% da área urbana, e cerca de 30% do município é
livre de restrições do seu espaço aéreo
devido a operações de vôo geradas pelo Aeroporto;
4) A maior parte
do território municipal tem restrições de construção
de edificações, seja em altura, seja por exigências
de proteção acústica;
5) A maior parte
dos projetos de edificação em Guarulhos precisa do aval
do Ministério da Aeronáutica, mesmo os localizados em
áreas sem restrições, ou que pela altura, tipo
sobrado, não teriam impedimentos às operações
de vôo;
6) O projeto de ampliação
dos terminais, elaborado pela administração anterior,
e apresentado ao público no Open Hall em 25 de abril de 2002,
mostrou um aeroporto com áreas comerciais visivelmente ampliadas,
evidentemente preparadas para beneficiar as empresas privadas que seriam
concessionadas com a privatização;
7) "A maior
parte da receita da empresa vem do setor de carga aérea e da
comercialização de espaços nos aeroportos"
- segundo um "folder" da Infraero;
8) Após quase duas décadas de funcionamento o Aeroporto
tem a pendência da aprovação do RIMA - Relatório
de Impacto do Meio Ambiente;
9)
O acesso ao Aeroporto restrito ao modo rodoviário, e limitado
à Rodovia Helio Smidt, é um grande gerador de movimentação
adicional de veículos de passageiros e de carga pelo sistema
viário da cidade, prejudicando o Município na manutenção
das vias públicas, nos acidentes de trânsito e na poluição
do ar;
10)
O "confisco" do espaço aéreo, reduzindo o potencial
de construção, acarreta a redução de IPTU;
11) As rotas de aproximação
das pistas, do lado oeste, atingem os melhores bairros do Município,
como Vila Rosália, Vila Galvão e Jardim Maia, cuja consolidação
como bairros de alto padrão foram prejudicados;
12)
O entorno do Aeroporto é mais que uma Zona Aeroportuária,
mais que uma delimitação geográfica, pois as atividades
desenvolvidas, geradas e mantidas pelo Aeroporto extrapolam essa área
do entorno imediato;
13) Os negócios
de transportes são apenas infra-estruturas enquanto não
acionados pelo usuário, e uma grande parcela de usuários
de cargas que hoje se concentra na região do Vale do Paraíba
poderá ser transferida para o futuro Terminal Aeroportuário
de São José dos Campos;
14) O Município
de Guarulhos carece de habitações de todos os padrões,
localizadas adequadamente, para a população que reside
em Guarulhos e para a que viaja diariamente de outros municípios,
devido ao trabalho direto ou indireto na atividade aeroportuária,
O IAB-Guarulhos coloca
as seguintes considerações e recomendações:
1) Desenvolver a área
de "Shopping" fora do Aeroporto. O aeroporto de Guarulhos
está totalmente inserido no meio urbano da cidade, razão
pela qual a área comercial dentro do aeroporto deveria ser minimizada
a serviços e comércios do padrão de lojas de conveniência.
As lojas de serviços e de comércio deveriam estar na área
do Município, dessa forma promovendo maior integração
com a atividade comercial da cidade, disponibilizando o acesso da população
local e regional aos produtos sofisticados e de maior qualidade, contribuindo
dessa forma para reforçar a condição de pólo
regional comercial de Guarulhos.
2) Criar a Área
de Intervenção Urbana - AIA Aeroporto. O Aeroporto e sua
área de entorno de intenso relacionamento deveria constituir-se
em uma Área de Intervenção Urbana - AIU, tendo
como diretrizes:
a) interligar-se
às ferrovias do Expresso Aeroporto da CPTM e ao Trem de Alta
Velocidade, TAV, e ao Veículo Leve sobre Trilhos, VLT municipal
(a ser projetado e implantado);
b) criar novo
acesso ao Norte do Aeroporto, conectado ao Rodoanel trecho Norte,
e para isso manter o traçado inicial do Anel Viário
Metropolitano passando pela região Norte do Município,
porém exigindo-se um projeto rodoviário com diretrizes
de preservação ambiental;
c) criar áreas de apoio ao transporte rodoviário, como
estacionamentos remotos, áreas para taxis, postos de serviços,
estacionamentos de locadoras, oficinas de concessionárias de
automóveis;
d) criar áreas de apoio de serviços e de comércio
como lojas, hotéis e instalações para atividades
de educação, lazer e cultura;
e) criar áreas residenciais para os empregados na atividade
aeroortuária;
f) criar áreas de produção, armazenamento e de
distribuição, como áreas de frigoríficos,
áreas alfandegadas, e mini-depósitos de aluguel;
g) interligar as atividades de apoio do entorno do Aeroporto e com
a cidade,com o transporte tipo VLT, corredores de ônibus, e
outros meios de transporte como ciclovias;
h) desenvolver programas de melhoria ambiental como a utilização
da água de chuva, reúso da água tratada e uso
de dutovias;
i) estabelecer o incentivo à utilização de combustível
não poluente para os veículos prestadores de serviços
de transporte de carga e de passageiros do Aeroporto, e nesse sentido
criar pontos de abastecimento de gás natural veicular - GNV;
3) Planos Diretores
Recíprocos PMG/Infraero -Os Planos Diretores do Município
e do Aeroporto devem observar o princípio da reciprocidade, cada
um considerando as estratégias do outro, complementando-se;
4) Sistema de transportes
administrado pela Infraero. A administração da Área
de Intervenção Urbana /Aeroporto - AIUA deverá
ter a coordenação da Infraero, e a participação
da Prefeitura. O sistema de transportes de passageiros e o sistema viário
dessa área deverão ser implantados e operados pela Infraero.
5) Fórum de
Assuntos Aeroportuários e Comissão de Autoridade Aeroportuária.
As decisões de assuntos de interesse do desenvolvimento aeroportuário
no Município deveriam ser encaminhados a um Fórum de Assuntos
Aeroportuários. Os
assuntos burocráticos ou de decisões específicas
envolvendo interesses diversos envolvendo o aeroporto e o município,
deveriam ser feitos por uma Comissão constituída de autoridades
da Prefeitura, do Ministério da Aeronáutica, do Departamento
da Aviação Civil, Sindicatos patronais e de empregados
e da infraero. Um escritório do Ministério da Aeronáutica
deveria ser instalado no Aeroporto de Guarulhos para resolver as questões
de aprovação de projetos de edificação,
sugerindo-se, por exemplo, para uma decisão imediata em relação
a pequenas construções tipo sobrados; prédios com
até 3 pavimentos em uma semana; e prédios de porte maior
para um mês
6) Operação
Urbana de áreas com restrições. As áreas
da cidade atingidas pelas restrições de uso do espaço
aéreo deveriam ter legislação do tipo Operação
Urbana, objetivando minimizar perdas e promover compensações
como a utilização de recursos naturais.
7) IPTU compensatório
de redução de Aproveitamento do solo.Toda a área
do Município com restrições de construção
devido a operações de vôo determinadas pelo Ministério
da Aeronáutica deverá recolher deste um valor correspondente
a um IPTU equivalente a um Coeficiente de Aproveitamento=1,0. Esse "imposto"
deverá incentivar o Ministério da Aeronáutica a
desenvolver meios de reduzir a área de restrições.
8) Transparência
nos registros imobiliários. Nos documentos de transação
imobiliária de terrenos deveria constar a observação
sobre a condição do imóvel estar sujeita a restrições
de uso e ocupação do solo e de exigências de proteção
a ruídos, devido à proximidade do Aeroporto.
9) Área residencial
de aeronautas. A Infraero deveria coordenar a implantação
de áreas residenciais para as pessoas com atividades relacionadas
com o aeroporto, especialmente os aeroviários, que hoje se reúnem
em grupos para alugarem apartamentos tipo residência provisória.
A composição desses grupos sofre variações
por escalações, os horários dos vôos são
de difícil conexão com os transportes coletivos da cidade,
e a vulnerabilidade das pessoas uniformizadas, sós e com bagagem,
requer melhores condições de vida. Empreendedores estariam
provavelmente aguardando a oportunidade de investir nesse usuário
cativo, desde que administrado por entidade idônea.
10) Área residencial
padrão médio. A Prefeitura de Guarulhos, Infraero e CDHU
deveriam implantar conjuntos residenciais de padrão médio
na área do CECAP para atrair os empregados na atividade aeroportuária
que não residem em Guarulhos. Esse conjunto deverá atrair
também os empregados do futuro Fórum de Guarulhos e do
Sesc. Com essa população de maior poder aquisitivo será
possível ampliar a área de comercio e serviços
do CECAP, em especial de escritórios para os advogados do Fórum.
11) Transporte público
para guarulhenses .O acesso ao Aeroporto é a cada expansão
um problema crescente. O Expresso Aeroporto deverá melhorar as
condições de acessibilidade para as pessoas de e para
São Paulo.
Contudo, falta resolver
o acesso dos guarulhenses que continuarão utilizando-se dos ônibus,
táxis e automóveis, e que deveriam dispor de um transporte
sobre trilhos, do tipo VLT. A linha do VLT poderia ser utilizado, como
acontece com o Metrô em São Paulo, numa faixa de Operação
Urbana e Áreas de Intervenção Urbana, induzindo
o desenvolvimento urbano e trazendo lucros para a transportadora. Um
exemplo disso, seria a revitalização da Av. Monteiro Lobato
à partir dessa medida, transformando parte das áreas industriais
em comércio, serviços e residenciais.
Sendo o que temos
a apresentar no momento, e esperando estar colaborando para a edificação
de uma cidade com a qualidade urbana adequada, desejamos sucesso nos
empreendimentos do Aeroporto e da região.
Atenciosamente
Arq.Prof.Dr. Mário
Yoshinaga - Presidente IAB-Guarulhos.
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