De: Angelo Arruda
Data: Wednesday, April 03, 2002 1:30 PM
Assunto: Por que temos raiva dos arquitetos?

Caro Rodrigo, li seu artigo e quero comentar alguma coisa. Não sei se começo pelo PT, pelo Projeto sem licitação ou pela sua indignação. Eu me lembro que em 1975, quando eu fazia arquitetura em Recife, o velho Oscar foi contratado pelo Governador Marco Maciel para fazer o Centro Administrativo de Pernambuco, sem licitação e o IAB da época, da ditadura, se expressou argumentando que apesar de se tratar de Oscar, deveria haver um concurso e assim ele poderia parcicipar em condições de igualdade com todos. Começo desse ponto: o que são condições de igualdade? Envelopes fechados com propostas que todos conhecem o traço do autor, ou você acha que não é possível identificar projetos em concurso? Ou ainda, ganha quem tem o menor preço, que é por onde vai o "processo legal licitatório"? Um colega seu ou até você mesmo pode se igualar em experiência, tempo de formado, m2 projetado, internacionalidade e outros elementos comparadores com o velho Oscar? Eu, nos meus 22 anos de formado não me atrevo a me comparar. Em todo o caso, se o cara é experiente o seu serviço vale mais, é mais caro, é isso que o mercado profissional nos ensina, mas nossas entidades teimam em não enxergar. Os preços mínimos do IAB são o máximo que se cobra, é ou não é? Então vamos parar com essa bobagem de querer explicações de algo que está explicado: ganha quem tem bagagem, apesar da regra dizer o contrário. Se você fosse convidado para elaborar o projeto e ganhar 320 mil você iria dizer que não aceitaria pois deveria haver concurso, etc? É assim que a vida é, cheia de surpresas que nos pegam até por razões que acreditamos serem muito éticas. Para mim, ética é algo que temos quando trabalhamos, não quando somos convidados pelos outros. Certamente Oscar foi convidado e não saiu de pires na mão pedindo obras. Aliás com 96 anos deveria está apenas descansando. Devemos respeitar a experiência de quem tem. Se não gostamos do que ele faz que discutamos isso nos congressos e não em espaços cuja política fala mais alto que é a administração da cidade. Para finalizar quero dizer que Ribeirão se parece muito com Campo Grande: muita grana, boi, etc. burguesia alta. Aqui temos muito orgulho de termos uma obra magnifica de Oscar, um colégio estadual. Ai tem a sede da Universidade, mal executada mas é de Oscar. Falemos dessa obra e não daquela que ele no alto de seus 96 anos está elaborando. Quanto ao PT e ao Planejemento da cidade, não generalize, como se a experiência de Ribeirão fosse do país inteiro. Um forte abraço Arq. Angelo Arruda .

[Angelo Arruda, arquiteto, Campo Grande]