De: Rodrigo Faria
Data: Tuesday, April 09, 2002 9:09 PM
Assunto: Resposta ao presidente do IAB-SP

Caro Gilberto Beleza, Presidente do IAB-SP, muito obrigado pela sua participação. Gostaria de lhe dizer com compreendo perfeitamente a posição do IAB. Quem bom que outras prefeituras compreendem, ainda, o papel que o IAB e os arquitetos podem desenvolver. Parabéns também à Prefeitura por oferecer a oportunidade do concurso acontecer. Uma coisa só pode, em relação ao problema da contratação, quando você fala do direito de contratação. O problema está no seguinte. A contratação pela Lei federal 8883/94 no seu artigo 111 que fala da "Notória Especialização" só pode ser validade, segundo até o próprio jornal TribunaRibeirão: "o poder público tem o direito de contratar sem licitação profissionais ou empresas de qualquer setor, desde que seja comprovada a ausência de mão-de-obra qualificada no mercado". O artigo 111 vai indicar os devidos critérios para se efetivar a contratação. Essa mesmo questão já chegou até as instâncias judiciárias. A contratação do projeto foi vetado por determinação judicial – Nona Vara Cível de Ribeirão Preto, João Agnaldo Donizete Gandini – aqui de Ribeirão Preto. A prefeitura já anunciou que irá recorrer. Gostaria de dizer também que o meu texto original não se limita à uma indignação à contratação do arquiteto Oscar Niemeyer. Muito mais amplo era o meu interesse. É sim de discutir os caminhos que estamos verficando nas administrações municipais em relação à prática do planejamento urbano. Não estamos falando de uma simples contratação de um profissional, qualquer que seja ele. O problema está na crítica sobre essa prática na cidade de Ribeirão Preto. Como na cidade a Arquitetura está sendo tratada numa´proposta de planejamento urbano que se vincula exclusivamente aos interesses mercadológicos. Como ela pode perder sua papel de transformadora do espaço, no caso espaço público, por estar inserida nessa lógica exclusiva da "mercadologia da cidade". Nosso indignação maior é com o PT-Ribeirão Preto. Sei, como já declarei, que o PT tem exemplos de Planejamento Urbano, como Belém, e várias outras. Lógico que nessa crítica, a Arquitetura deve também ser tratada, debatida. Uma coisa que não fazemos, é crítica de Arquitetura no Brasil. Os que fazem, em sua maioria são historiadores, filósofos... mas nunca arquitetos e urbanistas. Claro que ainda não temos o projeto de Niemeyer para situarmos nossa crítica especificamente a ele, o projeto. Como disse Cristina Meneguello precisamos perder o fetiche que está estabelecido aos grandes "mestres da arquitetura". Temos a necessidade de uma tomada de postura em relação ao modo como a sociedade e poderes públicos tratam da arquitetura e seus profissionais. Gilberto Beleza, mais uma vez muito obrigado pelas suas considerações.

[Rodrigo Faria, autor do artigo original desse forum de debates, é arquiteto, Ribeirão Preto SP]