De: Ricardo Rocha
Data: Friday, April 19, 2002 1:48 PM
Assunto: Minha Cidade

Estou acompanhando este debate desde o início e pensando: afinal, o que está em jogo? Há pouco vi uma reportagem ("Favela com grife") sobre o projeto da Bauhaus na reurbanização do Jacarezinho e uma mensagem sobre o leilão, também no Rio, do Hotel Nacional do Niemeyer. Lembrei do texto "Correspondências", de Abílio Guerra, em Arquitextos 001.3. Projeto "da" Bauhaus, hotel "do" Niemeyer: - Favela com grife... será que Gropius, apesar da Escola de Frankfurt, poderia ter imaginado isso? Uma utopia virar grife? Mas e Adorno, Benjamin, Horkheimer e Marcuse previram a guerra? Sobre isso, Adorno dizia "como é estúpido ser inteligente!". - Patrimônio cultural - um prédio inteiro! - vendido como... "oportunidade única de arrematar o complexo arquitetônico de Oscar Niemeyer, com jardins de Burle Marx" - cruel ironia: oportunidade... arrematar... Niemeyer... Marx... que(m) diria a nossa "Escola do Patrimônio"? E (que oportunidade!) no centenário de Lucio Costa! Mas como escreveu o Sylvio de Podestá, "desculpem, tenho que terminar". Estou sem almoço e ainda tenho um encontro com um colega para corrigir trabalhos de alunos. PS: Pouco mais de um ano depois de Horkheimer se tornar diretor em Frankrurt, a Bauhaus era fechada pelos nazistas.

[Ricardo Rocha é arquiteto e urbanista pela UFES (Vitória - ES) e professor do Departamento de Arquitetura da UFSM, Santa Maria RS]