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De: Mário Yoshinaga
Data: Monday, May 13, 2002 10:44 AM
Assunto: Palácio Monroe
Ana, concordo que reconstruir
o Palácio Monroe é brincar de Disneylandia em escala natural (e não de
7/8), num local que não é de brincadeira. Até o nome é pouco adequado,
pois iria sempre suscitar a indagação: quem ou o que é Monroe? Vão querer
saber se tem algo a ver com a Marylin, ou seria Marilyn? Não concordo
(se é que me é permitido discordar, em assuntos fora da minha especialidade)
no tocante a preservar os erros do passado refletidos na paisagem urbana.
Por exemplo, não vejo a hora de ter decretado o fim da vida útil (e inútil)
do nosso minhocão, elevado Costa e Silva, obra do ex-prefeito Paulo Maluf.
Um dos piores exemplos viários e de intervenção urbana em São Paulo, de
todos os tempos. O seu desaparecimento levaria ao esquecimento o agora
pejorativo termo ELEVADO, e os nomes do responsável e do homenageado.
Mas o traçado viário do minhocão, sim, deve ser mantido. Porisso, no seu
lugar poderia surgir um TUNEL AÉREO, por exemplo, à prova de feiura visual,
adequadamente correto por não poluir acústicamente, ecológicamente correto
pois poderia ser um eficiente armazenador de água de chuva, se projetado
inteligentemente, ou melhor, mais ousadamente, poderia prever o uso compatilhado
com outras coisas que circulam pela cidade (como átomos e bits, segundo
Negroponte). Cidades européias que foram reconstruídas à semelhança do
passado teria sido uma heresia?
[Mário Yoshinaga, arquiteto,
doutorando da Fauusp. Consultor da Comissão de Revitalização do Centro
de Guarulhos SP]
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