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De: Vera Hazan
Data: Wednesday, May 15, 2002 5:36 PM
Assunto: Palácio Monroe
Abílio, o artigo sobre a reconstrução do Palácio Monroe me parece bastante
oportuno, uma vez que o Secretário das Culturas Ricardo Macieira, sobrinho
de D. Marli Sarney, vem entusiamando o Prefeito, amante de factóides,
com tal obra. Na verdade, a idéia me parece, além de espantosa, absurda
como outros tantos projetos que vêm sendo realizados na atual gestão.
No outro fim de semana, saiu no jornal (creio que do Brasil) uma matéria
sobre os jovens urbanistas, que vêm observando a cidade, e oferecendo
ao prefeito projetos para algumas áreas, sem licitação, sem planejamento,
sem um pensamento mais global da cidade. O prefeito se mostrou muito entusiasmado
com os projetos, até mesmo porque eles possuem um baixíssimo custo de
produção. Pois bem, e a responsabilidade sobre a cidade? Ela é afinal
uma colcha de retalhos? Devemos aceitar que se reconstrua o Palácio Monroe,
que nem mesmo é um marco da arquitetura brasileira, num local que já se
encontra harmonizado sem ele? Não seria mais interessante pensar em projetos
que tenham mais substância, e possam, de fato, servir para a coletividade?
Vale a pena levantar aqui algumas questões que antecedem a discussão em
torno da reconstrução do Palácio. O que consideramos patrimônio? O que
devemos tombar e o que devemos deixar demolir? Será que o Monroe, enquanto
obra arquitetônica, merece ser reconstruído? Como revitalizar áreas históricas
sem pastiches? É preciso "engessar" áreas da cidade para manter seu patrimônio?
Quanto ao artigo propriamente dito, é interessante, bem fundamentado,
mas escorrega ao falar do bombardeio semita nas calçadas de Hollywood,
até mesmo porque quando se fala em semita, primeiramente se pensa no povo
judeu, que ao invés de bombardear Hollywood, ajudou a construí-la. É verdade
que os povos árabes têm origem semita também, mas pegou mal falar desta
forma. Não devemos generalizar, até mesmo porque os muçulmanos que andaram
bombardeando os EUA constituem uma pequena parcela do seu povo. Abraços
[Vera
Hazan, arquiteta, Rio de Janeiro RJ]
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