De: Rodrigo Azevedo
Data: Tuesday, May 28, 2002 8:42 PM
Assunto: Monroe

A construção do Palácio Monroe é só mais um factóide do Prefeito para desviar a atenção do público do projeto já falido do Guggenheim no Pier Mauá. O Guggenheim não vem mais. E o Monroe também não será construído, não há dinheiro. Com isso, o Prefeito suscita grandes debates e indignações e alcança o pretendido: midia entre a população e entre os intelectuais. Acredito estarmos perdendo tempo com os óbvios factóides de Cesar Maia. O real empreendimento que está acontecendo no local do Monroe é uma garagem subterrânea e a reforma do clássico edifício O Serrador, que vai se tornar um flat. O Monroe, do ponto de vista de viabilidade econômica e cultural, é furada total e nosso prefeito é economista e sabe. Aliás, o cara entende e muito de urbanismo e claro, cidade. Se trabalha corretamente, aí são outros quinhentos..... Uma pena que a arquiteta Vera Hazan fique revoltada com a participação de jovens arquitetos trabalhando a cidade. Ainda por cima com valores de projetos abaixo do valor de mercado. Sabe porque? A lei 8666 permite licitação e concursos para contratação de projeto de arquitetura. Claro que o concurso é o mais democrático e o melhor para a cidade, pois permite que todos participem e que ganhe a melhor idéia. Já a licitação, antes de apresentar a idéia, você necessita apresentar dez milhões de atestados e certidões para então depois sua idéia ser analizada. Se por acaso não possuir uma certidão, está fora. Resumindo: ganha o burocrata. Perde a cidade (imaginemos se para projetar Brasília, Lucio Costa tivesse que apresentar atestado de já ter projetado capital outras 6 vezes?! Ganharia, é claro, um burocrata medíocre). A cidade hoje está privada de novas idéias. A cidade hoje virou cidade-assassina. Uma pena que Vera fique revoltada com novas idéias e personagens atuando na cidade.

[Rodrigo Azevedo, arquiteto, Rio de Janeiro RJ]