De: Vera Hazan
Data: Wednesday, May 29, 2002 1:54 PM
Assunto: Monroe

Rodrigo, creio que você não me entendeu. Não sou contra jovens arquitetos projetando para a cidade, até mesmo porque eu sou uma jovem arquiteta, que vem projetando para a cidade. O que não considero correto é pegar projetos por valores abaixo da tabela, isto é, aviltar os valores que a nossa classe batalha para fazer valer, assim como fazer projetos para a cidade, desvinculados de um planejamento integrado. Chega a ser ingênuo considerar isto bom... Você realmente não compreendeu o que eu disse, e talvez não saiba o quanto o IAB e o Sindicato vêm trabalhando para dar mais dignidade à nossa profissão. Talvez fosse bom você participar das discussões do IAB, para saber porque falo isto. Quanto às licitações, concordo que sã pedidos uma série de documentos extremamentes desnecessários, criando custos que dificultam a participação de pequenos escritórios. A Prefeitura, o Estado e o Governo Federal devem se calçar... Muitos projetos e execuções de obras param no meio do caminho por falta de infraestrutura das empresas contratadas. Não estou defendendo a burocracia, até mesmo porque eu tenho horror a ela. Sociedade cartorial nada tem a ver com a minha vida. Mas, infelizmente, é assim que a banda toca. Para profissionais autônomos e pequenos escritórios, existem outras alternativas de contratação. Conheço bem a Lei 8666, e sei que existem contrataçõe por notório saber, dispensa de licitação etc. Esta deve valer para projetos cabíveis em orçamentos inferiores a R$15.000,00. Não sou contra este tipo de contratação, mas contra a forma como estes arquitetos oferecem seus serviços, desvinculando seus projetos do resto da cidade, oferecendo serviços por custos impossíveis para a qualidade de trabalho desejada. Espero que desta vez você compreenda o que eu digo. Abraços.

[Vera Hazan, arquiteta, Rio de Janeiro RJ]