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De: Assunta Viola
Data: Saturday, June 01, 2002 6:04 PM
Assunto: Audiência pública para projetos de arquitetura?
Quantos inúmeros itens temos a pensar na nossa profissão! Inclusive que
legalmente nada - ou quase nada - é retratado nos textos constitucionais
a respeito do escopo de trabalho de um arquiteto contemporâneo. Mas creio
que muito se deve a prática, pois leis em demasia refletem falta de procedimentos,
me engano? Se se partisse do pressuposto que minimamente, independe da
estética que o projeto assuma, os usuários estivessem atendidos, essa
discussão toda seria sem sentido. Desde que não chova dentro, sim, claro,
pode inclusive não haver teto, desde que não chova dentro. É uma premissa
- ou deveria ser - que uma obra de arquitetura atenda ao menos ao programa
a que se destina. E que seja esteticamente equilibrada. Aliás, são duas
as premissas: a função a que se destina, e a estética que a gera. Francamente
custo a entender, como arquiteta já, não como estudante, qual é o problema
em atender a um programa de necessidades? Isso implica em falta de estética?
Ética? Qual mesmo a origem dessas palavras? A forma segue a função, etc.,
etc........ o traço criador, etc., etc........ Sem nenhum conhecimento
da matéria, tive a oportunidade de projetar duas residências para deficientes
físicos infantis: numa, uma reforma, e em outra, todo o partido do projeto
se originou deste fato. A forma é resultado dessa pesquisa dos espaços
interiores, e da implantação do conjunto no sítio, e me pareceu reger
toda a composição como maestro de orquestra. Custa-me francamente a entender
como o Modernismo no Brasil prega a revolução social, em tantos discursos
que se ouvem, se nem ao menos as funções básicas do edifício são atendidas.
Não falo do "estilo", falo da "causa". Uma vez atendidas as necessidades,
a forma surge naturalmente. O projeto tem vida própria, ele independe
do criador, que não é onipotente nem tão pouco onisciente!!!!!!!!!!!!
Em Genebra, o concurso para a praça das nações, em frente ao prédio da
ONU, vencedor depois de vários julgamentos, em várias instâncias, no ano
de 1996, não será construído porque a comunidade local, em um referendum,
acreditou não ser compatível com a cidade. Pelo que me lembro das leituras
acadêmicas de democracia grega, a pólis é o lugar da política e da democracia.
O Arquiteto, apenas e tão somente um dos agentes, não?
[Assunta
Viola, arquiteta, São Paulo SP]
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