De: Denise Xavier
Data: Thursday, July 04, 2002 6:16 PM
Assunto: Resposta a Augusto Stiel Neto

Caro Augusto Stiel Neto, fco muito contente, ao mesmo tempo que entendo como sintomático, que depois de um longo silêncio, a primeira opinião à respeito de meu manifesto, parta exatamente de fora da área de arquitetura. Nesse sentido entendo como perfeitamente natural que um profissional de arte, um futuro sociólogo e um cidadão consciente como vc se preocupe com o destino de nossa cidade, o mesmo e com muito mais intensidade deveria ocorrer com os meus colegas. A apatia e o conformismo provocados pelo dado conhecido da insatisfação, faz parecer ingênuo aquele que se arvora à reivindicações, que embora justas, violam o estado das coisas. Chega a ser constrangedora a ausência de um espirito reformista dentro de uma profissão que por princípio sempre teve, no horizonte de sua atividade, o sentido demiurgico de inventar um mundo. O fim da crença nas Utopias, parece ter apagado também o espirito inquieto de quem as produzia. Na ode á um comportamento integrado parece ter se jogado fora a "água e a criança". Abdicando do direito à voz e ao debate, não estaremos apenas nos ausentando de parcela de nossa responsabilidade – a de urbanistas - estaremos isso sim selando o destino da nossa cidade. Uma cidade que já , a muito, exibe a marca da violência de não ter sido sonhada.

[Denise Xavier é arquiteta e autora do artigo que origina esse debate, São Paulo SP]