| De:
Mauro Almada
Data: Tuesday, December 03, 2002 2:03 PM
Assunto: Quem tem medo de Jean Nouvel ?
O debate sobre o Guggenheim Rio tem múltiplas
vertentes. Abordarei apenas duas que me interessam mais que outras.
1. Acho que, sem nenhuma dúvida, a questão
mais relevante para o público é saber se e como o novo
Museu pode alavancar a reabilitação da área portuária.
Essa é a questão central, diante da qual todas as outras
ficam menores. Se a resposta for sim, ótimo; se for não,
vamos repensar.
O que me parece é que, nem a Prefeitura nem Nouvel
responderam, até agora, solidamente a essa dupla indagação
( o se e o como). Da parte do Nouvel, não sei nem se essa questão
foi colocada para ele. Agora, pelo lado da Prefeitura, não há
como não pensar no assunto e ter respostas consistentes. O problema
é que não há hoje, no âmbito municipal, uma
liderança culturalmente capacitada para tal.
2. Quanto ao projeto, faço duas observações
(a partir apenas do material precário que foi divulgado nos jornais):
a idéia da "floresta" submersa, para uma cidade que
tem a maior floresta urbana do mundo, a 30 minutos dali, é realmente
pífia, uma bobagem. Porque não trabalhar com a fauna/flora
marinha ? O outro aspecto que me incomodou foi o edifício-tela
de projeção: primeiro, por sua altura, competindo com
o prédio do antigo jornal A Noite; segundo por sua implantação,
transversal ao pier, criando uma barreira entre a Praça Mauá
e o Museu. Se a questão 1 é amais relevante, esses dois
aspectos projetuais não podem passar em branco.
[Mauro Almada, arquiteto,
Rio de Janeiro RJ]
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