| De:
Vander Lemes
Data: Saturday, February 08, 2003 9:10 PM
Assunto: Torre Agbar
Sou arquiteto e moro em Barcelona há oito anos.
Os novos edifícios de Barcelona estão sendo produzidos
num contexto muito específico que não se produz com frequência
em cidades européias. Para entendê-lo seria recomendável
saber mais de toda a expansão urbanística de Barcelona
rumo ao norte. Quanto ao edifício de Nouvel, a Torre Agbar, aconselho
a quem quiser aprofundar-se na questão que consulte também
as seguintes fontes:
- Nova edição de EL CROQUIS 112/113
de JEAN NOUVEL
- Artigo publicado en EL PAIS, cuaderno Cataluña,
LA TORRE DE LAS 4400 VENTANAS, 06.02.03
- Artigo publicado en EL PAIS, BABELIA, título:
OBUSES DE VIDRIO, por Luis Fernando-Galiano (leitura obrigatória!)
- Artigo publicado en EL PAIS, cuaderno Cataluña,
NADIE DESHACE EL NUDO DE LAS GLORIAS, 26.01.03
A materialidade
e o formalismo na obra de Nouvel tem uma envergadura mais complexa que
não seria possível resumir – como é lógico
de se pensar – coerentemente neste espaço. Mas vale a pena
procurar entender as duas lógicas de pensamento radicalmente
diferentes que fundamentam os projetos de Nouvel e Foster e que resultaram
em dois projetos aparentemente similares (quando vistos de uma perspectiva
fenoménica), mas de naturezas intrínsecamente antagónicas
quanto à sua gênese (quando vistos de outra perspectiva
mais sistêmica).
Na minha opinião importam pouco as associações
que cada qual é capaz de fazer com as formas (nem tão
novas, mas inegavelmente fálicas) desses edifícios conforme
o seu próprio ideário inconsciente. Penso que é
mais valioso e útil procurar entender as pesquisas e as inquietudes
pessoais de ambos arquitetos porque elas existem e são notórias
no conjunto das suas obras. Aliás, essas inquietudes estão
muito vinculadas aos contextos em que trabalham um e outro. Recordo
que Nouvel alude insistentemente nas suas entrevistas conceitos como
a materialidade, a imprecisão precisa, a projeção
de futuro assistida pela tecnologia da imagem (instrumento fundamental
de trabalho para Nouvel) na criação (ou transformação)
do imaginário arquitetônico.
Parece que o que se deixa entrever em Barcelona representa
apenas a ponta de um iceberg. Para vislumbrá-lo inteiro deve-se
ver - por exemplo - o conjunto da obra de Nouvel e Foster. Para contextualizar
ambas obras seria preciso rever as diferentes linhas de pesquisa formal
do conjunto da arquitectura de elite (isto é, aquela vinculada
ao poder econômico). Acabaremos coincidindo na opinião
de que é difícil, arriscado, talvez prematuro e até
simplista anunciar novas eras, renovações ou epílogos
históricos.
Confira!
[Vander Lemes é
arquiteto, Barcelona, Espanha]
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