De: Ismael Pescarini
Data:
Tuesday, July 22, 2003 7:14 PM
Assunto: Resposta ao leitor

Colega Villela, parabéns por estar iniciando nessa nobre profissão com determinação e obrigado por ter lido e comentado o artigo. Sua opinião a respeito da importância da diversidade de tipologias e da relação social que possa haver nelas é corretíssima e esbarra em um conceito muito complexo, hoje em dia, que é o conceito de “gentrificação”, quase sempre associado aos diversos projetos de requalificação urbana. Longe de mim querer ser dono de uma nova visão, porém o conceito de vitalidade urbana não é necessariamente identico ao de enobrecimento do território. Quem dizia isso era Janes Jacobs, em 1964, quando analisou as transformações do bairro de Boston, North End. Por outro lado ela também associou a revitalização dos territórios com uma conjuntura econômica favorável (JACOBS, 2000, pgs 8 e 321). Não podemos esquecer que estamos desde meados da década de 80 atravessando mais baixos do que altos na economia e, por isso, propor a inserção da população de baixa renda nas áreas menos valorizadas do centro e nos territórios lindeiros de grandes avenidas parece mesmo ser um passo equivocado, bem como pensar em manter e desenvolver o pequeno comércio. Mas é preciso enfrentar esses problemas com coragem e de modo integrado, isto é intervenções urbanas, planejamento e programas sociais. Nós, os Arquitetos, temos o dever de enchergar a realidade de modo complexo, não setorial, porque a Arquitetura é síntese, como sabemos. Pra finalizar queria reafirmar a paixão que move a análise da paisagem urbana e principalmente a importância do movimento e dos eixos para essa cidade, desde quando eram os rios suas mais importantes avenidas e propor refletir sobre um conceito do Bill Hillier: O movimento nas grandes cidades não é simplesmente produto da organização espacial, mas causa de sua existência (HILLIER, 1996).

[Ismael Pescarini, mestre pelo IPT e doutorando da FAU-USP, é autor do artigo que originou este Forum de Debates]