De: Mario Yoshinaga
Data:
Monday, March 14, 2005 3:32 PM
Assunto: Minha Cidade 065-Ismael Pescarini

Ismael, o assunto Corredor Comercial x Avenidas de Travessia precisa ser melhor divulgado à população. Muitos comerciantes e donos de imóveis comerciais apostam nos alargamento de pistas das avenidas, pois acreditam que a atração de mais veículos em frente ao seu estabelecimento trará mais clientes e mais vendas, portanto mais lucros. Verifica-se, isso sim, e como você mostra no seu artigo, uma grande transformação, onde nada garante que os atuais lojistas sobreviverão ao "tsunami" de movimentação. Este é um assunto que permite longas discussões, mas vou ficar restrita à questão do crescimento, vida e morte das grandes avenidas. Algumas avenidas comerciais chegaram a um apogeu de funcionamento, com acessos, densidades, diversidades e capacidade de comercialização que satisfazia o abastecimento local e da região, poupando-se assim deslocamentos desnecessários da população. As mercadorias circulavam mais que as pessoas. Com a vinda dos grandes centros varejistas, tipo shoppings e hipermercados, as pessoas passaram a circular mais que as mercadorias. Uma transformação pode ter relação com a outra... Voltando a essas avenidas comerciais que atingiram a fase adulta, faltou preservá-las. As vias de passagem e de grande tráfego, submetidas a EIA/RIMA seriam reprovadas para ocupar essas avenidas. Como você observou, trata-se de um corpo estranho às atividades consolidadas (e de pleno funcionamento). E a questão é justamente essa: a de ambientes construídos que atingiram uma capacidade plena, ou um estágio adulto. Estas avenidas e sub-centros devem ser preservados de intervenções impactantes. Não faltam exemplos. As missões (RS) chegavam a um determinado tamanho e paravam de crescer. Iniciavam um outro em local diferente; as várias cidades-jardins; os módulos de crescimento do Doxiadis... e as colmeias. Em crescimento urbano não deveria ser permitido o estágio pós-adulto. Essa cultura de demolições é como colocar filhos adotivos numa pequena família, e que acaba sem DNA comum. Enfim, como disse, é um assunto fértil.

[Mario Yoshinaga é doutor pela FAUUSP em Estruturas Ambientais Urbanas e professor na Universidade Guarulhos]