De: Rossana Honorato
Data:
Sunday, August 29, 2004 10:02 PM
Assunto: Namoro geográfico – resposta a Luiz Tarciso Souza

Caro Luiz Tarciso, me surpreende o efeito de meu texto sobre a sua curiosidade. Que bom ter provocado seus sentidos! Infelizmente, as grandes cidades, como São Paulo, têm se deparado com fenômenos de emigração, como a alternativa que alguns moradores têm encontrado em busca de tranqüilidade e de qualidade de vida. Excedendo o fato de meu interesse por cidades, pessoalmente, cá em João Pessoa, já testemunhei alguns movimentos desta natureza. Você - permita-me também chamá-lo assim –, me conta agora a possibilidade de integrar este movimento. João Pessoa é, ainda, uma cidade tranqüila, sobretudo se comparada a São Paulo, aí é tremendamente tranqüila. Somos menos de 700 mil habitantes espalhados em apenas 210 km2. Um território contido entre o rio e o mar, que se espraia ao norte e ao sul, sem ter mais quase por onde se esticar. Ou seja, estamos fadados a ser uma pequena cidade. Ainda bem! Mas de grande nos restam muitas outras coisas, além do rio e do mar. Capital da Paraíba, de economia modesta, nascemos há 419 anos, quase ali juntinho com o Brasil. Por isso, ostentamos um patrimônio cultural - histórico, artístico e, destacadamente, arquitetônico - significativo para o país. Pobres em vida econômica, entretanto, somos ricos em condições naturais e, certamente, em conseqüências históricas, que ainda nos conferem, sob a perspectiva urbana, um padrão de vida razoável: farto verde urbano ofertado por matas nativas e uma espécie de cultura dos quintais, em convívio com o azul do céu e o verde do mar. Nossas praias, inclusive parte das mais freqüentadas, ainda têm preservadas a balneabilidade e o brilho de um sol que, agora, há cada inverno, vem revezando espaço com a chuva. A nossa gente anfitriã, certamente, rebecerá você de braços abertos. Venha nos conhecer. Você vai gostar! Um abraço paraibano

[Rossana Honorato é autora do artigo que motiva este debate]