De: Maria Aparecida Cambraia
Data: Tuesday, February 24, 2004 1:10 PM
Assunto: Usos, abusos & desusos da Liberdade

A Praça da Liberdade é a razão da construção de Belo Horizonte. Os usos ali existentes - institucionais, culturais, comerciais, residenciais - fazem, hoje, da Praça da Liberdade um centro cultural no sentido mais amplo.

O público da Praça da Liberdade são os funcionários, os praticantes de caminhadas, os estudantes, as crianças com seus pais e babás, os namorados, os policiais etc . A transformação daquele espaço num mero “Centro Cultural”, retirando / banalizando seu significado simbólico, poderá comprometer toda a vitalidade e espontaneidade que se verificam ali. (É claro que a BHTrans poderia cooperar e, com um plano de circulação alternativo, retirar muito do tráfego de passagem que hoje utiliza a Praça...)

Sem mencionar que o Plano Diretor Municipal, construído de forma participativa, recomenda a regionalização de usos culturais e artísticos e contra-indica a concentração de atividades urbanas – portanto, a construção de um “Centrão Administrativo” também não está contemplada ali. É complicado verificar que o Plano nem está sendo considerado...

Entendo que concorrem para essa proposta diversos equívocos: a concepção elitista de “cultura” (um uso “nobre”), a permanência de conceitos de planejamento urbano de meados do século passado (já descartados em todo o mundo) e a falta de hábito de gestão democrática da cidade.

Brilhante, iluminado, o trabalho do Professor Ferolla. Fiel ao espírito público que sempre o distinguiu, ele defende, como sempre, o objeto de trabalho dos arquitetos e urbanistas: a cidade!

[Maria Aparecida Cambraia, urbanista, Belo Horizonte, Minas Gerais]