De: Sylvio E. de Podestá
Data: Wednesday, March 17, 2004 4:22 AM
Assunto: Brasília

Taí Carlos, prá quem já tinha feito um belo trabalho sobre os vazios de BH e ainda tem um escritório nominado Vazio S/A, Brasília é sedução total. Agora, perceber que o cerrado, nessa sua dimensão onírica, mágica e infinita, formatada aparentemente por aleijões, tortuosidades e secura para um olhar desprevenido que não vê os laranjas, ocres, vermelhos e o corporal bailarino figurado nas suas torturas, não percebe o seu alerta de que o cerrado é quem realmente manda nos vazios e cheios de Brasilia; por cima das amebas burlemaxianas e dos traços retos dos urbanistas de plantão; por cima dos olhares policialescos dos iphanetes, luciocostetes e niemeyretes. PD, nosso eterno arquiteto de plantão, defende a tese de que BH poderá voltar a ser uma cidade jardim apenas esperando o mato crescer; um mato genérico formado pelos brotos de todo tipo de vegetação que nasce por entre as frestas das pedras, do alfalto, do cimento e concreto. Brasília é esta realidade PD. Caro Carlos, sei que estes comentários não acrescentam nada, mas sempre que alguém redescobre Brasília, abre portas, força a vista, sinto um certo orgulho de ter visto este universo se formando deste o tempo da cruz, que por uns tempos maculou veredas. Legal! Abração.

[Sylvio de Podestá, arquiteto, Belo Horizonte MG]