| De:
Rodrigo Azevedo
Data: Saturday, March 20, 2004 2:29 PM
Assunto: Brasília
Carlos, muito pertinente seu texto. O Brasil tem um
problema com o Movimento Moderno. Não conseguimos superá-lo,
assimilá-lo ou mesmo datá-lo. Sua presença é
recorrente nos ambientes (decadentes) acadêmicos, nas instituições
(decadentes) do patrimônio, como a utopia adormecida, que algum
dia tomará forma novamente e organizará toda a cidade.
Algo meio Jesus Cristo. Vivemos uma esquizofrenia. Alias, é esta
a política oficial do governo Lula, submeter todos nós
a uma situação esquizofrênica. Enquanto estamos
aqui, isolados do mundo, com taxas de crescimento negativas (!!), a
China tem crescimento de 2 digitos, Argentina 6%, Índia, EUA,
Europa, todos produzindo, construindo, pensando. Fazendo novas cidades,
implementando novos conceitos, experimentando... E o Brasil? Continuamos
a exportar laranja e soja... Quantos arquitetos brasileiros estão
na China ou quiçá com encargos fora do país? Aliás,
o que significa arquitetura para este governo? Neste estado paquidérmico
de nossa economia, com um governo repassando quase 70% de nosso PIB
para fora do país, é óbvio que serão os
burocratas de plantão a planejar e pensar nossa cidades, pois
não há o que pensar ou fazer, não há dinheiro.
Estamos a mercê de soluções "criativas",
como a do ministro Tarso Genro, que quer "socar" aluno em
universidade particular falida, ao invés de investir dinheiro
nas públicas. Carlos, enquanto os esquizofrênicos estiverem
no poder, os capins e as ervas daninhas de Brasília serão
diariamente aparados e esmagadas para que a cidade continue brilhando.
Até que um dia caia por falta de manutenção.
[Rodrigo
Azevedo, arquiteto, Rio de Janeiro RJ]
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