De: Mario Yoshinaga
Data: Tuesday, May 18, 2004 10:03 AM
Assunto: minha cidade 096-Assunta Viola

Colega Assunta Viola,

Numa sequência que se repete em muitas cidades, uma via de grande profundidade ou que interliga-se com outras, transforma-se em corredor comercial. Entope-se de lojas, atrai gentes, em carros e onibus, e produz o dinamismo da movimentação. Sucede-se o congestionamento, e o clamor dos lojistas para esse estrangulamento, essa "arterios-carro-ses". Os rodoviaristas atacam com projetos de cruzamentos em viadutos e "buracos" do adhemar, da erundina, etc., e de alargamentos de vias, suprimindo canteiros e calçadas. A "decisão política" opta pelo mais barato e mais rápido e acaba na mesmice da dança das guias e sarjetas, criando mais faixas de trânsito e sobras para pedestres e verdes. O transito flui, as vagas dos carros somem e o comércio e os elementos "lindeiros" se deterioram, com o aumento do número de carros "de passagem", e de muitos passageiros de onibus. Mas,o comerciante faz as contas: o poder de compra de um carro ( dos passageiros) equivale ao poder de compra ( dos passeiros) de um onibus. É muita mão de obra, pouco lucro, como as lojas de 1,99. Por outro lado, as lojas de grife, de redes, de ambito não local, voltados para os (passageiros) de carros, sobrevivem bem nesses locais de velocidade maior. A 70km/h, uma frente de loja deve ser maior que 3 lotes, e para convencer um motorista a parar deverá ter bons motivos: local para estacionar, facilidade de entrar e sair, e principalmente achar mais de uma função de comercio e serviços. Os impactos urbanos derivados de decisões predominantemente rodoviárias exigem grandes investimentos, muita coragem, e novos paradigmas para serem solucionados. E seguramente será com a ação conjunta do Poder Público,das empresas privadas e dos proprietários das terras e edificações do entorno.

[Mario Yoshinaga, doutorando na FAUUSP, em Estruturas Ambientais Urbanas e Professor na Universidade Guarulhos, Universidade de Guarulhos]