De: Assunta Viola
Data: Saturday, May 22, 2004 12:32 PM
Assunto: Resposta

Prezados Eduardo e Mário, bem, meu artigo foi absolutamente pessoal, não represento nem o poder público nem o projetista. Apenas me senti no direito, como cidadã, arquiteta e usuária, de emitir minha opinião. Portanto, Eduardo, maiores detalhes sobre o projeto em andamento eu não os tenho. Esse artigo foi inclusive enviado ao arquiteto e vereador Nabil Bonduki, tive essa idéia e mandei para um representante junto ao poder público. Mário, quanto aos aspectos operacionais e de interesse dos comerciantes que se instalariam eventualmente nesse corredor, justamente esse é o ponto. Imagino justamente que a intervenção deveria ser feita em parceria entre o poder público e a iniciativa privada, cada um defendendo seus interesses. A região apresenta uma boa oferta de consumidores de padrão alto e recebe diariamente uma infinidade de cidadãos digamos assim mais desvalidos. O que esse local teria a oferecer a essa população não seria o consumo – simplesmente porque eles não podem consumir. Mas serviços públicos e até habitação de interesse social, através de edifícios construídos ou adaptados para esse fim, com a locação social. O corredor, de calha de transporte rodoviário, passaria a ser um eixo urbano, com calçadas para pedestres, sejam eles os endinheirados consumidores ou os simples cidadãos em atendimento pelo poder público, podendo inclusive no futuro receber estações de metrô, caso houvesse. Essa mistura de classes promovida pelo poder público traria com certeza uma outra dinâmica urbana e outra apropriação do espaço público. Diversos edifícios públicos poderiam ser feitos ou transferidos, como creches, postos de saúde, pequenos espaços cívicos. A cidade volta a ser do cidadão, aproveitando de um único projeto que poderia ser apenas viário, mas que o deixaria de ser a medida que tivesse uma visão urbana mais ampla.

[Assunta Viola, arquiteta, é autora do artigo que iniciou este debate]