| De:
Klaus Chaves Alberto e Luciane Tasca
Data: Monday, July 26, 2004 11:10 PM
Assunto: Resposta para Pedro da Luz
Caro Pedro da Luz,
Agradecemos
sua atenção para com o texto.
A
questão que você nos colocou reflete o arquiteto realmente preocupado
com a atuação profissional possível nas cidades contemporâneas. Acreditamos
que sua leitura do Lamas é, na verdade, uma nova categoria que ele próprio
não estava preocupado - na época da edição de seu livro. No texto do
autor, a urbanística operacional e o planejamento burocrático, são,
em conjunto, faces de uma mesma tragédia.
Sua
pertinente questão sobre o planejamento de curto e longo prazo é, e
deve ser, a forma de atuação concreta sobre a cidade. Em Juiz de Fora
temos o Plano Diretor, aprovado em 2000, que, após o diagnóstico da
cidade aponta os temas que deverão ser realizados a longo prazo. A legislação
urbana que se reflete na cidade a curto e longo prazo, deve se harmonizar
com o plano diretor (por exemplo: seria um deslize, para não dizer um
desleixo, termos na legislação um aumento de gabarito na área central
da cidade enquanto o plano diretor já demonstrou que está área já está
perto do colapso - este desleixo foi parte do projeto de lei levado
à câmara dos vereadores no início deste ano).
A
curto prazo, novamente harmonizados com o plano diretor, aconteceram
alguns projetos urbanos para um impacto imediato, seria o caso do projeto
de revitalização do Eixo do Rio Paraibuna, bem como os projetos de revitalização
pontual no bairro Manoel Honório, no Calçadão da rua São João, e agora
de algumas praças da cidade. Neste sentido acreditamos que Juiz de Fora
ainda está carente, ainda não existem concursos de idéias para as pequenos
grandes temas do planejamento local. As especificidades do meio urbano,
de cada região, ou bairro, de cada rua ou corredor de comércio, são
muitas e ocorrem de variadas formas conforme o local. É preciso, sem
dúvida, abordar a cidade nesses pequenos focos, pontos localizados no
interior de bairros, especificidades que caracterizam a vida urbana,
o cotidiano.
Enfim
Pedro, acreditamos que nossa atuação, enquanto profissionais que dominam
um conhecimento técnico específico para as cidades, deve acontecer em
todas as escalas de planejamento, envolvendo a participação da comunidade,
sempre que possível, na intenção de conhecer de perto os problemas e
dificuldades que aquela determinada comunidade está passando, evitando
assim, planos feitos em escritório, a longa distância de seu local de
implementação. Esperamos com isso evitar seu receio de projetos à granel
sem perspectivas futuras e o contrário, belas perspectivas para o futuro
contrastadas com atuações insensíveis e mesmo contrárias a estas.
[Klaus
Chaves Alberto e Luciane Tasca são autores do artigo que origina
este debate]
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