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ano 5, vol. 1, ago. 2003, p. 106
Madri Espanha
   
 

Madri 2012
Fredy Massad e Alicia Guerrero Yeste


leia a versão em espanhol

     

Como para toda capital que tem o desejo de se incorporar ao mapa das cidades olímpicas, a apresentação desta candidatura implica em levar a cabo uma profunda intervenção sobre seu tecido urbano e a criação ou renovação de diferentes infra-estruturas desportivas. Não apenas para assegurar e demonstrar eficiência organizativa e projetar ao mundo uma imagem atrativa e impecável, mas também para reequilibrar e revitalizar as condições presentes da cidade para seus próprios cidadãos.

O projeto Madrid 2012 se caracteriza fundamentalmente pela intervenção em estruturas já existentes e pela construção de novas instalações para competições de alto nível. Optou-se por traços contidos, traduzidos em resultados arquitetônicos corretos.

Esta intervenção coloca um conceito para orientar o futuro imediato da vida urbana de Madrid para além da candidatura aos Jogos Olímpicos e sua possível celebração na cidade dentro de oito anos.

O escritório Cruz y Ortiz é responsável por dois projetos relevantes: a planificação do Anel Olímpico e a ampliação da capacidade de público do Estádio de Madri. O Anel Olímpico se situa a poucos minutos de distância do aeroporto e do centro da capital, conectado também com outros pontos aonde se implantariam os espaços destinados ao uso dos meios de comunicação e outros usos, aonde ocorreriam competições. A planificação da Vila Olímpica se define como uma operação de regeneração meio-ambiental e centralidade. Pretende-se que após os Jogos, os edifícios residenciais que se construíram para a concentração dos desportistas, sejam convertidos em campus universitário.

As cerimônias de inauguração e clausura de os Jogos se realizariam no remodelado Estádio de Madrid, no núcleo do Anel Olímpico, cuja arquibancada – popularmente chamada “La Peineta” [o pente] – será ampliada para dar lugar a cinqüenta e cinco mil espectadores. Para os eventos olímpicos, outro anel de arquibancada coberta ampliará a capacidade em vinte mil assentos.

Outra estrutura passível de uma intervenção notável para sua ampliação e melhoria estrutural é o Palácio de Desportes Felipe II, reconstruído por Paloma Huidobro e Enrique Hermoso, que se ampliaria para abrigar até quase dezessete mil espectadores. Recinto polivalente, capaz de abrigar cerimônias desportivas e espetáculos, se encontra nas imediações do Parque do Retiro, portanto trata-se da instalação olímpica mais central.

O Rockódromo Arena Casa de Campo, encomenda do Escritório Cano Lasso, surge com a finalidade de se converter em um pavilhão de suporte para atividades desportivas, artísticas, musicais, equipamento dinamizador de seu entorno. Sua localização obrigou aos arquitetos a realizarem uma intervenção respeitosa em relação à memória histórica, de maneira que o edifício se define como um elemento de silencioso impacto.

 


Remodelação do Estádio de Madri, escritório Cruz eOrtiz. Foto Fernando Alda


Remodelação do Estádio de Madri, escritório Cruz eOrtiz. Foto Fernando Alda


Reconstrução do Palacio de Esportes Felipe II, arquitetos Paloma Huidobro e Enrique Hermoso

     


Centro Aquático Olímpico, arquiteto Juan José Medina


Centro de Tênis Parque Manzanares, arquiteto Dominique Perrault

 

Juan José Medina é o responsável pelo Centro Aquático Olímpico, que acolherá as competições de desportes aquáticos. O projeto é definido pela transparência da vedação de seus três blocos, em alusão à imagem e sensação da água.

O Centro de Tênis Parque Manzanares, concebido por Dominique Perrault, foi batizado como a Caixa Mágica. Esse nome se deve ao fato de que sua silhueta poderá variar em função do tipo de evento que acolhe, mediante coberturas e fachadas móveis, criando um espaço aonde se poderão realizar eventos ao ar livre ou coberto, entretenimentos e compras.

Os Jogos Olímpicos, como grande evento mediático desportivo e cultural, transformaram-se em um perfeito argumento para gerar uma forma específica de estratégia de intervenção sobre as grandes cidades contemporâneas, redesenhando-as e reciclando-as, colocando assim um idêntico modelo de ação urbanística teoricamente capaz de operar em um nível global.

O pretexto de um grande evento deve servir para resolver os problemas específicos de uma urbe e não para mascará-los suntuosamente. Em não poucas ocasiões, esplêndidos equipamentos não têm sido capazes de integrar-se a uma dinâmica urbana real e acabam abandonados no espaço de pouco tempo. Ainda que se possa observar no conjunto da candidatura arquitetônica de Madrid algum excesso de expressividade e risco, se esta intervenção se fusiona eficazmente com outras das interessantes ações arquitetônicas que estão acontecendo na cidade agora mesmo, Madri ganhará uma renovada presença no mundo.

Nota

1
Ver www.madrid2012.es

     

Artigo publicado originalmente no suplemento Cultura/s do periódico La Vanguardia, Barcelona, 07 jul. 2004

Fredy Massad e Alicia Guerrero Yeste são autores do livro Enric Miralles Arquitetura do sentimento, que será publicado em breve pela editora Testo & Immagine

   
     
    Minha Cidade 106 – agosto 2004
   

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Gustavo Martins

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