| De:
Paulo Faccio Neto, Pedro Dias de Abreu Neto e Luis Antonio
Cambiaghi Magnani
Data: Monday, October 25, 2004 1:37 PM
Assunto: Planetário do Parque do Ibirapuera
Prezado Abílio,
encaminhamos cópia da carta enviada à Secretaria do Verde
e Meio Ambiente a partir da vistoria realizada na obra no dia 05.OUT.04
com a participação do Secretário do Verde e Meio
Ambiente e sua equipe, representantes da construtora e autores do projeto
e como a nosso ver, devem ser resolvidos os problemas apontados e também
respondendo à carta enviada a este “site” pelo Secretário
Adriano Diogo. O “site” Vitruvius contribuiu decisivamente
para a divulgação do debate democrático a respeito
da Obra de Restauro e Revitalização do Planetário
do Ibirapuera e tem sido um veículo aberto ao debate de idéias
no campo da arquitetura e áreas afins. Agradecemos e nos orgulhamos
de ter podido contar com essa tribuna aberta e democrática. Atenciosamente
[Paulo Faccio Neto,
Pedro Dias de Abreu Neto e Luis Antonio Cambiaghi Magnani, arquitetos,
autores do artigo que origina este Fórum de Debates]
OF 305/04
São Paulo, 21 de outubro de 2004
À
SVMA
– Secretaria do Verde e Meio Ambiente
Rua do Paraíso, 387- 10ª andar
São Paulo - SP
At.
Arq. Marcos Cartum
Ass.:Resposta
ao ofício nº 1000/SVMA.G/2004
Ref.: Projeto de Restauro e Revitalização Planetário do Parque do Ibirapuera,
São Paulo SP
Prezados
Senhores
Em
resposta ao ofício nº 1000/SVMA.G/2004, enviado em 30 de setembro pelo
Secretário Municipal do Vede e do Meio Ambiente Sr. Adriano Diogo, observamos:
Ao
contrário do que postula o Sr. Secretário, estivemos muitas vezes transmitindo
nossas inquietações a respeito dos problemas expostos ao responsável
pela obra junto à Secretaria sem que houvesse qualquer sinal de receptividade
por parte dos fiscais da obra, legítimos representantes da Secretaria;
assim como do responsável pela empresa construtora que, nem mesmo nos
acompanhou nas várias visitas que fizemos espontaneamente em diferentes
fases da obra, mesmo não tendo nenhum vínculo com a execução da obra
e o seu andamento.
Em
vista da situação apresentada não vemos nenhuma estranheza na apresentação
de uma carta num veículo aberto à divulgação e troca de opiniões num
ambiente técnico à área de arquitetura como o site da revista Vitruvius.
Como
mencionamos também, em 29/AGO/04 havíamos participado de uma visita
conjunta com o DPH, órgão responsável pelo tombamento e pertencente
igualmente à Prefeitura de São Paulo, quando foi elaborado um relatório
apontando os problemas.
Da
nossa parte, acreditamos que este relatório chegaria ao seu destino,
assim como a carta enviada no mesmo período ao CONDEPHAAT, órgão responsável
pelo tombamento estadual.
Estranha-nos
muito mais que, mesmo com vários profissionais da prefeitura envolvidos
nesta obra, as informações a respeito dos problemas em curso não tenham
chegado ao conhecimento do Sr. Secretário.
Se
não houve comunicação interna ao titular da SVMA, por parte do gestor
e dos fiscais da obra, que sabiam de nossas ressalvas quanto a qualidade
da obra em andamento, provavelmente é porque seus responsáveis não as
consideraram e não as transmitiram, sendo, portanto, uma questão de
gestão interna. Uma responsabilidade da Secretaria que não poderia estar
alheia a estes fatos.
Registramos
que, em reunião convocada pela própria Secretaria, após a publicação
da matéria neste site, também ouvimos do Sr. Secretário o reconhecimento
sobre a gravidade dos problemas apresentados, a necessidade da correção
dos serviços mal executados e da solução dos problemas apontados. Nesta
reunião foi agendada um visita técnica ao Planetário para que todos
pudessem constatar os problemas apontados.
Estiveram
presentes à visita técnica realizada no dia 05/10/04 as 14:00 horas
na obra do Planetário:
- Secretário
do Verde e Meio Ambiente, Sr. Adriano Diogo
- Diretor
do DEPAVE, Sr. Vitor Lourenço Braz
- DEPAVE,
Arqº Marcos Cartum
- DEPAVE,
Arqº André Pavão
- CYRELLA,
Engº César Kato
- CYRELLA,
Engº Diogo Ramos
- Conselheiro
do CONDEPHAAT, Arqº Mario Bondi
- Chefe
do Planetário do Ibirapuera, Sr. Ednilson de Oliveira
- Paulo
Faccio e Pedro Dias Arq. S/C, Arqº Paulo Faccio Neto
- Paulo
Faccio e Pedro Dias Arq. S/C, Arqº Luis Antonio C. Magnani
- Diversos
representantes de empresas sub contratadas pela construtora Cyrella.
Reconhecemos
que a publicação das matérias nos jornais: Folha de São Paulo e Estado
de São Paulo, que não foram nossa iniciativa, deram uma dimensão incômoda
à secretaria num período eleitoral, porém, até a publicação da matéria
neste site, nenhuma atitude havia sido tomada em relação às obras. Pelo
contrário, em nosso último contato com a fiscalização da secretaria,
ouvimos a explícita intenção de relevar os problemas, inclusive nos
propondo um documento de isenção de responsabilidade pela má execução
de determinados itens (.....) e este foi o ponto que nos fez tomar a
atitude. Além disso, remoção dos tapumes e limpeza do canteiro de obras,
demonstrando a claríssima intenção de conclusão dos trabalhos, reforçou
nossa decisão.
As
justificativas enumeradas no ofício do Sr. Secretario, contêm um claro
desconhecimento do dia a dia de uma obra de restauro. Mesmo quando procura
enaltecer as qualidades da construtora, esquecem de uma questão fundamental:
O que estamos questionando não é a idoneidade da empresa e sim as suas
ações específicas nesta obra, sem que ninguém tivesse interferido para
interromper o andamento de trabalhos de grande extensão – como a cúpula,
o anel amarelo, as janelas fora de modulação e a passarela técnica interna
- que concretamente foram realizados abaixo do nível técnico aceitável.
As obras continuaram até sua conclusão, o que obviamente dificulta a
argumentação da própria secretaria em propor, junto às empresas terceirizadas
que os serviços fossem refeitos.
Ressaltamos
que nossas ações foram no sentido de chamar atenção para o que estava
acontecendo na obra de restauração do Planetário, no sentido de garantir
o respeito às especificações e ao projeto de restauração que foi aprovado
pelos órgãos de preservação do patrimônio histórico. Preocupava-nos
qual seria o legado técnico que deixaríamos para as futuras gerações
com uma obra de restauro em um local de tamanha visibilidade.
A
questão que se coloca é que o resultado desejado está apoiado no projeto
de restauro, que foi apreciado e aprovado pelos órgãos de preservação
do patrimônio cultural aos quais a SVMA deve justificativas pela própria
natureza prevalente das leis de tombamento.
Estas
instituições já se manifestaram através de relatórios e visitas, reforçando
as posições por nós colocadas.
Apresentamos
a seguir, as nossas opiniões quanto às decisões que deverão ser tomadas
para solucionar os problemas apontados no nosso relatório de irregularidades
apresentado em 29/SET/04 (OF 291/04):
1.
A construção do revestimento externo da cúpula por apresentar-se de
forma generalizada fora da geometria original como foi relatado, não
permite uma correção pontual e requer que o serviço seja inteiramente
refeito.
2.
O anel circundante além das irregularidades apresentadas na geometria
do revestimento, necessita de um completo nivelamento de sua borda externa
e para tanto a estrutura radial de sustentação deverá ser mantida porém
desvinculada dos elementos anelares que as unem para que seja executado
um perfeito nivelamento.
3.
Para a recomposição do revestimento externo em pedras deverá ser utilizado
o seguinte critério:
Para
os grandes panos de revestimento deverão ser utilizadas pedras retiradas
de áreas menores e pertencentes a outros panos, que serão refeitos inteiramente
com pedras novas e como receberão a luz de forma diferente irão atenuar
a diferença de tonalidade. Além disso a geometria e tamanho das pedras
a serem utilizadas deverão ser as mesmas das pedras originais.
4.
O revestimento da passarela foi projetado para não ser removido pois
o acesso aos equipamentos seria feito inteiramente pela área interna
conforme orientação dos técnicos da ZEISS que, acompanham todos os detalhes
técnicos do projeto através de seus representantes no Brasil e mesmo
o técnico vindo da Alemanha, mas mesmo que seja necessário o saque frontal
de alguns dos painéis estes devem ser executados de forma a ocultar
a estrutura e as bandejas de alumínio de fechamento devem ser curvadas
e perfeitamente acabadas com pintura eletrostática e os parafusos serem
ocultos pela junta rebaixada entre os painéis. Portanto os painéis devem
ser refeitos respeitando o detalhe constante no Projeto de Arquitetura.
5.
Os elementos em concreto aparente, cuja forma e cimbramento não atenderam
às recomendações do Memorial Descritivo resultando em um concreto com
superfície bastante irregular, deverão ser reparados procurando recuperar
os planos, eliminando saliências e reentrâncias para obtenção de um
concreto liso e com acabamento uniforme.
6.
Com relação construção do compartimento enterrado, exigência do DPH
e do CONDEPHAAT, que não interfere na paisagem do parque, diferente
do que afirma o ofício enviado pela SVMA, não há qualquer impedimento
técnico à sua execução, como a alegada altura do lençol freático ou
exigências da Eletropaulo. Foi previsto no projeto drenagem e impermeabilização
adequadas ao nível do lençol freático no local e a Eletropaulo foi consultada
à respeito, não opondo-se à solução técnica adotada.
7.
Os caixilhos abaixo do anel externo amarelo devem ser de igual dimensão,
conforme detalhes específicos constante do Projeto de Arquitetura, assim
como o revestimento em alumínio dos pilares de madeira devem possuir
a mesma dimensão entre eles, devendo ser executado com chapa lisa de
alumínio conforme detalhe do projeto. O ajuste fino para garantir vãos
iguais para os caixilhos pode ser feito com pequenos deslocamentos da
caixa de alumínio que reveste os pilares para a direita ou para a esquerda.
8.
Houve consenso durante a vistoria técnica de 05.OUT.2004 que o revestimento
da caixa do elevador não deve ser executado em policarbonato, mas sim
em vidro curvo, conforme especificação constante do projeto, que apresenta
maior durabilidade, levando-se em conta o intenso uso da edificação.
9.
Os móveis que sofreram modificações já estão sendo corrigidos e a vitrine
deverá ser revestida com a mesma madeira dos lambris, devendo ser igualado
o vão existente entre elas. O projeto previu poucos móveis para o espaço
interno do Planetário, buscando valorizar as peças de madeira e entendemos
que sua execução deveria primar-se pela busca da excelência.
10.
A “Rosa dos Ventos” executada no piso externo em granito polido, deverá
ser receber apicoamento de superfície no local, tornando a superfície
antiderrapante.
11.
Deverá ser feita amostra do acabamento do forro de gesso junto à cúpula
de concreto para posterior aprovação.
12.
O acabamento do forro lateral da marquise sobre a rampa de acesso, deverá
ser em alumínio polido como a cúpula, porém com a mesma espessura do
existente. O acabamento do forro será mantido melhorando as áreas de
sobra junto aos montantes.
13.
O lambril da sala de projeção deverá ser corrigido para igualar os vãos
entre os sarrafos.
As
correções propostas representam, no nosso entendimento, o mínimo necessário
para a entrega do Planetário do Ibirapuera à população, por tratar-se
de uma edificação de reconhecida importância cultural e de indiscutível
destaque dentro do Parque, fato este reconhecido pela Sra. Prefeita
ao promover sua restauração após longos anos de abandono.
O
Parque Ibirapuera é freqüentado diariamente por milhares de pessoas,
de diferentes classes sociais, com interesses e ocupações diversas,
formadores de opinião, turistas, inclusive estrangeiros; isto nos dá
a dimensão da responsabilidade com a qualidade do resultado final da
intervenção e restauração deste ícone da cidade de São Paulo.
Colocamo-nos
à disposição para dirimir quaisquer dúvidas de projeto ou situações
inesperadas, comuns em intervenções de restauro.
Atenciosamente
Paulo
Faccio Neto
Arquiteto
Pedro
Dias de Abreu Neto
Arquiteto
Luis
Antonio Cambiaghi Magnani
Arquiteto |