| De:
Sylvio Nogueira
Data: Thursday, October 21, 2004 2:58 PM
Assunto: Burguesia retrógada
Salvo por servir
como abrigo e refeitório para pombos - que se reproduzem em áticos
dos prédios que circundam a praça e são sabidos
vetores da histoplasmose ou outras moléstias - o edifício
do Lelé é das coisas mais inteligentes já erguidas
no local (e em todo o Brasil!). Forma, aliás, com o palacete
colonial, uma sensata, madura e instigante "ponte histórica",
deixando vários outros prédios do largo (inclusive a torre
do elevador Lacerda) - tolamente ecléticos e/ou pretenciosos
- como "intrusos no baile". Presumo que alguns dos pseudo-puristas,
defensores da remoção, serão os mesmos que se coçam
de alergia contra qualquer demonstração, de conhecimento
técnico, por parte de arquitetos; como se isto fosse apanágio
da engenharia e as faculdades de arquitetura devessem ficar restritas
a estéreis divagações plástico-cromáticas
(hoje fortemente estimuladas por infinitos recursos de programas do
tipo CAD), em total descompromisso com os mais recentes produtos e processos
construtivos. Eis revelada, mais uma vez, a essencial distinção
entre o equilíbrio propositivo do "moderno" e o recorrente
ranço, sempre boçal e retrógrado, do "modernoso".
. .
[Sylvio Nogueira,
Arquiteto, Curitiba PR]
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