| De:
Eduardo Pierrotti Rossetti
Data: Thursday, October 28, 2004 2:03 AM
Assunto: Minha Cidade 116: Salvadora
Salve Salvador!! A eliminação
de uma obra arquitetônica é um fato sério. Eliminar
uma obra arquitetônica implica em desmontar valores, desfazer
processos, subtrair histórias. Significa querer esquecer. O que
querem esquecer quando propõe a eliminação da Sede
da Prefeitura Municipal de Salvador, projetada pelo arquiteto João
Filgueiras Lima, o Lelé? Trata-se, mesmo, de um erro categórico
de um Arquiteto? Ou... Querem derrubar a quem? ...o quê? ...para
que? A proposta de Lelé subverte a ocupação esperada
para aquele sítio ao desenhar um edifício desprendido
do solo e recuado dos alinhamentos do lote. O projeto valoriza o vazio
da Praça Municipal e de seu entorno ao abrir novas perspectivas
para sua apreensão, além de proporcionar uma generosa
visual aberta para a Baía de Todos os Santos que, aliás,
tem tão poucos pontos públicos para ser desfrutada! O
projeto de Lelé restitui um espaço público para
a cidade. Sem tais espaços, restaria somente a balaustrada contígua
ao Elevador Lacerda para vislumbrar a Baía, pois a Praça
pertence mesmo aos carros! Para além do edifício, o projeto
amplia as percepções da própria cidade ao possibilitar
amplas visuais desde a Cidade Baixa até o Bonfim. Mesmo que o
argumento original da obra tenha sido a implantação de
uma sede em caráter provisório do poder municipal junto
à Praça, um estado de provisoriedade que perdura por cerca
de 20 anos já foi incorporado, faz parte da paisagem da cidade,
de sua dinâmica simbólica e social. Some-se a isso, o fato
de que esta Praça sem função política torna-se
estéril e potencialmente um novo espaço a ser espetacularizado!
Derrubar uma obra realizada com tecnologia, linguagem e procedimentos
pertinentes para erguer qual arquitetura? Oxalá nos ajude! Salve
Salvador!!
PS: uma obra "provisória"
de Lelé é bastante diversa da provisoriedade das "Escolas
de lata". Não há termo de ajuste!!
[Eduardo Pierrotti
Rossetti, Arquiteto, São Paulo SP]
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