| De:
Marco Santos de Amorim
Data: Saturday, January 15, 2005 10:05 PM
Assunto: Técnica e conhecimento
Prezados
Senhoras, Senhores, toda
essa discussão em torno da desmontagem de um excelente exemplo
e modelo de nossa competência tecnológica mostra o quanto
nós brasileiros estamos carentes de homens públicos possuidores
de uma cultura mínima que seja. O Brasil de hoje perde em competência
e ganha em mediocridade. Fruto de um desenvolvimento anacrônico,
somos a nossa própria caricatura. Toda essa discussão
poderia ser comparada às criticas pelas quais sofreu o Museu
George Pompidou de Paris, quando em sua inauguração: "Tal
monolito de ferro e vidro inserido no velho 4ème Arrondissement
de Paris le Châtelet". Poderia ser comparada se ficasse soó
nas críticas da mídia provocadora e oportunista! Mas a
decisão pela constituição de um concurso de arquitetura
pelas autoridades francesas, representa uma decisão importante
e que envolve a projeção do país em relação
ao seu potencial humano, cultural e tecnológico. Toda obra de
arquitetura marca um período evolutivo e histórico da
sociedade. Não é por nada que as grandes obras da arquitetura
européias se rivalizam e se rivalizaram num esforço pela
disputa de um "savoir faire" onde o importante era e continua
a ser a superação em técnica e arrojo. Isso não
é por nada, apenas uma enorme publicidade entre as nações,
na divulgaçao de suas evoluções e competências
técnicas. Trocando em miudos, divulgando-se a competência,
vendia-se o know-how. E dinheiro que entra a partir dos países
consumidores de tecnologia como o Brasil por exemplo! Infelizmente,
ainda temos que nos esforçar para entender fórmulas complexas,
textos burocráticos e legislações arcaicas, enquanto
prosperar e compartilhar a prosperidade e o conhecimento com o nosso
próprio povo, mesmo estando tão próximo de nós,
se encontra ainda tão distante. E sao decisões como essa,
a de desmontar um grande exemplo de nossa competência técnica,
que distancia nosso país de um futuro melhor. Não há
conflito histórico, o que há são idades cronológicas
diferentes, cada arquitetura conta um momento da história técnica
de nosso povo. A única decisão correta seria a de impedir
o estacionamento na praça. Praça essa que deveria ser
destinado ao ser humano e não para servir às máquinas.
Além disso, essa praça ainda tem um importante papel,
ela é o elo entre o passado e o presente. Atenciosamente
[Marco
Santos de Amorim, arquiteto, Paris França]
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