| De:
Roberto O. V. Grossmann
Data: Monday, October 25, 2004 4:33 PM
Assunto: Edifício São Vito
É uma boa notícia
saber do projeto que vis dar uma solução a um dos tantos
problemas do centro da cidade de São Paulo. O texto, no entanto,
não explica o por que da decisão de rehabilitação
e não de... demolição, por exemplo. Gostaria de
saber quais razões levaram a equipe a decidir pela reforma/recuperação.
O que garante que o novo São Vito não vá sofrer
o mesmo processo de "acortiçamento" que o original?
Isto levanta dúvidas sobre um ponto que, para mim, desde os anos
70, não mais havia lugar a dúvida: projetos de edifícios
multifamiliares de alta densidade e grande altura, especialmente para
famílias de baixa renda não funcionam, nunca funcionaram
e não tem como funcionar. Já nos alertaram sobre estes
riscos John Turner, Abrams, estudos das Nações Unidas,
etc. há décadas; inclusive o cinema já nos vem
alertando sobre o problema, desde a Laranja Mecânica
de Kubrik até Central do Brasil de Walter Salles, passando
por Ridley Scott. A história da arquitetura moderna está
saturada de exemplos como os do Edifício São Vito, alguns
deste exemplos já demolidos devido à falta de alternativa
viável. Agora é inegável que o edifício
em menção não é tão somente um problema
arquitetônico e urbanístico, mas um problema social a ser
resolvido, e que não pode ficar como está. A final de
contas, alguma coisa deve ser feita para resolvê-lo, e a solução
jamais deve ser dada retirando os moradores do bairro (a famosa urban
removal). Devemos lembrar que um cortiço só se forma
em bairro com excelente localização (próximo de
facilidades de transporte, serviços e emprego). Mas, será
que a solução passa pela preservação do
impreservável?
[Roberto O. V. Grossmann,
arquiteto]
|