| De:
Antonio Agenor Barbosa
Data: Thursday, November 17, 2005 5:15 PM
Assunto: Minha Cidade 120 Rio de Janeiro RJ Brasil
Prezado Cristiano
Calil:
A vida em uma cidade de dimensões
metropolitanas e com um povo tão mestiço e oriundo de
diversas partes do país faz, de fato, com que o Rio de Janeiro
tenha um carater absolutamente peculiar em relação a outras
cidades do Brasil em que a maioria de seus moradores têm um perfil
sócio-cultural e também econômico mais homogêneo.
Podemos dizer que esta característica é, a um só
tempo, a dor e delícia desta cidade tão rica culturalmente
e com um povo tão absolutamente criativo e dinâmico que,
não raro, gera alguns conflitos e dificuldades de se levar adiante
determinadas ações práticas.
Em uma roda de conversa
(ou numa roda de samba, como você preferir) em qualquer lugar
desta cidade, eu arrisco dizer que em cada 10 pessoas pelo menos 6 ou
7 não são nascidas aqui mas adotaram esta cidade como
sua. E aqui trabalham, constituem famílias e criam seus filhos
de maneira honesta e honrada. Este é o meu caso, por exemplo.
Sou carioca por paixão e por adoção já que
não nasci aqui nesta cidade. Não quero entrar no mérito
de generalizar e dizer que os moradores são culpados por todas
as mazelas como você, de maneira simplista e maniqueísta,
colocou. Mas é óbvio que todos nós moradores desta
cidade temos que estar imbuídos deste espírito e desta
boa vontade de transformar esta cidade cada dia que passa numa cidade
mais justa, pacífica e equilibrada. E isto é um projeto
da sociedade como um todo, aí incluídos também
a (omissa) classe política que nos governa.
Também não
vou enumerar aqui para você as ações práticas
que tanto eu quanto muitas pessoas que conheço empreendem para
efetivamente transformarmos este estado de coisas sem nada pedirmos
ou reclamarmos dos governos. Tenho a consciência tranquila de
que faço a minha parte com muita dedicação e amor
por esta cidade para que ela melhore e evolua. E estas ações
das quais participo vão muito além de abraços na
Lagoa e de fitinhas e etc, embora eu também reconheça
que certos símbolos (ainda que aparentemente ineficazes a um
olhar mais pragmático como o seu) são importantes para
chamar atenção para determinadas coisas.
Tenho um certo otimismo que
não consegue convergir para a mesma interpretação
que você faz de um futuro sombrio para esta cidade. Sei de seus
problemas mas, ao contrário de você, eu acho que somos
nós os moradores da cidade que podemos transformá-la na
prática. E muitas pessoas já fazem isto, acredite. Eu
não sou daqueles que acham que a única saída do
Rio é o Galeão.
Grato pela sua mensagem
[Antônio Agenor
Barbosa, arquiteto e urbanista, é autor do artigo que origina
esse fórum de debates]
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