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Frederico Flosculo Pinheiro Barreto Coragem, Gabriela ! Gostei do texto acertado e sereno. Um dia aprendo a escrever assim. Quanto ao mérito: Niemeyer não é tão autofágico quanto auto-dispersivo. O arquiteto Carlos Moreira Teixeira (que escreveu o polêmico texto - boa polêmica - "Liqüefazendo Brasília", o 91º da série Minha Cidade, de março de 2004) faz um raciocínio deliberadamente intrigante, certamente ultrajante, sobre a entropia das cidades, ou certas entropias entrevistas por esse autor. Apesar de irritante (eu também me esforço por sê-lo, mas é difícil topar com o que o Carlos Moreira fez), é revelador: Brasília deixa clara a sua "entropização", desde o momento máximo do projeto até essa multiplicidade de momentos mínimos que são criados pela Era Roriz (claro, poderia ser outro o governante do capim entrópico). Oscar Niemeyer está criando seus grandes momentos mínimos com suas obras de revisitação em Brasília, desde a Procuradoria Geral até a Biblioteca Nacional, no conjunto da Esplanada. Está contribuindo decisivamente para embaralhar a leitura de sua obra, até então límpida, admirável. Pessoalmente, fico mais intrigado com a super-cúpula-com-guirlandas do Setor Cultural Sul, desse novo conjunto que polui a encantadora perspectiva "bossa-nova" da imortal Esplanada dos Ministérios. A cúpula é gigantesca e alterará toda essa consagrada composição, esse "clássico modernista" do centro cerimonial da cidade. Não chega a esmagar a Catedral próxima, mas rivaliza com ela, toma espaço e horizonte, e celebra essa nova obsessão claustrófila e inesperada: as obras de revistação da cidade, desde o Panteão da Pátria no final dos anos 1980, vêm "fechando" a Esplanada. Claustrofilia ou Capim, Autofagia ou Última Ceia, você foi ao ponto: Niemeyer está se comendo (ou seria ruminando?) em obra pública. Com as saudações de Frederico Flósculo. [Frederico Flosculo Pinheiro Barreto, arquiteto, Professor da FAUUnB - Departamento de Projeto, Expressão e Representação em Arquitetura e Urbanismo, Brasília DF] |
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