| De:
Francisco Lauande
Data: Monday, April 10, 2006 1:22 PM
Assunto: Artigo de Gabriela Iza
Prezada colega e amiga
Gabriela,
Apesar de ser um assíduo
leitor da vitrúvius, só recentemente fiquei sabendo de
sua participação através desse artigo. Parabéns!!!
Não só pela iniciativa, mas pela qualidade do raciocínio.
Como toda boa síntese, o seu texto desencoraja-nos para quaisquer
tentativas de acréscimos ou retificações.
O Oscar deles, o Wilde,
escreveu certa vez que o artista deve ser absoluto, pois do contrário
correria o risco de tornar-se um instrumento de perpetuação
do conservadorismo: amigo íntimo da mediocridade e estagnação.
O nosso Oscar, o Niemeyer, soube como poucos ser absoluto. Ele é
(e será) o símbolo da capacidade criativa de um povo a
serviço da reinvenção de nossa cultura, ensinando-nos
o que somos e o que podemos ser. Lamento que suas últimas obras
para a esplanada sejam a negação e desconsideração
de tudo isso. É uma história humana muito bonita para
acabar manchada dessa forma.
Desculpem-me os leitores e colegas envolvidos neste pequeno debate desencadeado
neste espaço, se meus comentários tomam um sentido laico.
Mas ao olhar os novos edifícios da esplanada lembrei-me do filme
"O advogado do diabo". Na última cena, o personagem
vivido por Al Pacino (o próprio diabo) diz ser a vaidade o seu
pecado predileto.
É triste perceber
que também a arquitetura esteja respingada pela crise ética
que assola o país. O público se confundido com o privado.
Os fins justificando os meios: os votos para um político e a
vaidade de um arquiteto. O povo, mais uma vez, é o que menos
importa...
Gabriela, parafraseando
o Mário Quintana: eles passarão e nós, passarinho...
Minhas saudações
[Francisco Lauande,
arquiteto, Brasília DF]
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