De: Ana Lucia Domingues de Oliveira
Data: Wednesday, July 13, 2005 8:44 AM
Assunto: Arquitetura sem alma

Também fico surpresa ao saber que a colocação "lutar em vão contra centenas de anos de modo de viver", foi feita por uma arquiteta, como colocou de forma sensata Tatiana Bodra Karpavicius. Também entendo que os trabalhos de arquitetos e designers são inevitavelmente influenciados pela cultura e história, desta forma, como já é bem sabido no mercado atual, só poderemos nos firmar mundialmente e construirmos uma indústria forte capaz de impulsionar o mercado nacional se soubermos nos impor.

A valorização demasiada de modos de vida e cultura estrangeiras não nos trará diferencial nenhum, não farão com que nossos produtos sejam apreciados e respeitados. Como sabemos o "projetar" não é uma prática casual, é fruto de estudos e pesquisas, que buscam materiais, formas e soluções compatíveis com sua finalidade. Fazer design no Brasil é encontrar soluções para sanar os problemas de forma geral, mas adaptadas ao nosso modo de vida. Em tudo nossa identidade intervirá. O design escandinavo é respeitado no mundo todo exatamente porque satisfaz as necessidades dos escandinavos primordialmente. Além disso, se queremos popularizar o design, ou seja, os objetos que desempenham suas funções de forma ideal, respeitando o meio ambiente e que sejam competitivos mundialmente, devemos adaptá-los a todos.

Cada profissional tem o direito, como já foi colocado, de desempenhar seu trabalho como quiser destinado para quem quiser, mas se desejamos que os nossos produtos sejam admirados e respeitados, temos que garantir que os nossos estudantes saiam para o mercado capazes de melhorarem nossa imagem e produzirem produtos bem sucedidos. Precisamos começar a pensar em fazer arquitetura e design para todos, como os nossos parentes europeus e tão admirados já entenderam há décadas.

[Ana Lucia Domingues, estudante de Desenho Industrial na Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo SP]