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5, vol. 11, jun. 2005, p. 134 Rio de Janeiro RJ Brasil |
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A
desfusão de que o Rio precisa |
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"Rio
antigo, Rio eterno, A despeito do polêmico debate sobre a desfusão do Estado do Rio de Janeiro e a volta da Guanabara ter aparentemente saído de cena após um breve período em evidência na imprensa carioca, recentes acontecimentos trazem à tona algumas novas reflexões e idéias sobre o referido tema. O mais novo episódio da triste, vergonhosa e antidemocrática novela das eleições no município de Campos nos deixou com a certeza da desfusão que o Rio realmente precisa: a desfusão entre projetos de estado e projetos pessoais dos governantes de plantão, a desfusão entre as políticas de estado e as políticas eleitoreiras. Enfim, a desfusão entre o destino da sociedade e o mandonismo, coronelismo, clientelismo e patrimonialismo que se aproveitam dela. Os limites supostamente tênues que separam programas sociais – importantes e urgentes no país campeão mundial de desigualdades e da injusta distribuição de renda – de programas eleitoreiros ficaram claramente demarcados no episódio de Campos. Conforme noticiado pela imprensa, nas semanas que antecederam as eleições foram realizadas as seguintes ações:
Para completar o esquema de clientelismo que além de confundir direitos com favores em troca de votos, também atua na compra direta deles, foram flagrados ainda 238 cheques em envelopes com o timbre do Governo do Estado e logo após, na sede do PMDB, na presença do ex-governador Garotinho, R$ 318 mil em espécie que seriam distribuídos para cerca de 50 pessoas. |
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E como se não bastasse, para caracterizar ainda mais a confusão do público com o privado restou ainda a defesa do partido (PMDB) feita através de anúncio pago com dinheiro do estado que custou R$ 165.979,44. O Estado que deve servir a todos os cidadãos, independente de raça, credo ou opção política e partidária, agora custeia a defesa do partido da governante. Por fim, o último episódio e o coroamento final da atitude coronelista dos envolvidos: o descaso e o deboche público com a Justiça, e a certeza da impunidade. Todos estes fatos narrados aqui são de domínio público e constam na corajosa sentença da Juíza Denise Apolinária e de matérias de jornais como O Globo. Dois sinais de que estamos avançando na democracia apesar destes personagens que ainda habitam o cenário político nacional: imprensa livre e Poder Judiciário independente. Falta ainda um personagem importante: cidadãos ativos e conscientes. Cidadãos livres para votar sem pressões, subornos e coerções e para, posteriormente mas não menos importante, cobrar intensivamente dos poderes públicos o cumprimento de seus deveres de maneira ética e eficiente. Finalmente viemos nos solidarizar com a juíza Denise Apolinária diante das pressões que vem sofrendo e pedir ao TRE um julgamento duro e imparcial. Ao seguirmos estes passos naturalmente estaremos caminhando para a desfusão que o Rio, de fato, precisa.
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| Artigo originalmente publicado no website Cidadania, em 01 jun. 2005 Fernando Terra, profissional de marketing, trabalha atualmente com planejamento estratégico. Antônio Agenor Barbosa, arquiteto e urbanista, mestre em urbanismo (UFRJ) e professor universitário da Universidade Veiga de Almeida, onde coordena os cursos de graduação em paisagismo e o curso de Pós-Graduação em Turismo e Patrimônio. Fernando Terra e Antônio Agenor Barbosa são coordenadores do Movimento Rio Para Todos. Os idealizadores e coordenadores do Movimento Rio Para Todos são as seguintes pessoas: Antônio Agenor de Melo Barbosa; Ary Duriez; Carmem Da Poian; Eleonora Luz; Fernando Terra; Francisco Paladino; Heitor Rodrigues; Mihai Cauli; Olga Bronstein; Renato Lima Charnaux Sertã; Roberta Ferrari Andrade Charnaux Sertã; Sonia Bromberger; e Susane Worcman. |
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| Minha Cidade 134 - junho 2005 | ||||||||||||||
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