De: Hamilton Cesar de Castro Carvalho
Data: Thursday, March 22, 2007 10:05 AM
Assunto: "Desfusão"

Caros:

Como professor de português e de línguas indo-européias há mais de 38 anos, continuo a me escandalizar com o péssimo uso do vernáculo entre e por pessoas supostamente "cultas". Independentemente dos aspectos legais, históricos e socioeconômicos do desfazimento (ou da reversão) da fusão entre o estado do Rio de Janeiro e o estado da Guanabara, queria advertir aos "doutos" na matéria que, se por um lado dão provas de conhecimento de história e de economia acerca do assunto, no que tange ao vernáculo "pisam feio na bola" o que aliás, é a tônica neste país onde, com incontida fúria iconoclasta, vai se destruindo o idioma aos poucos. Refiro-me aqui ao substantivo "desfusão", por mim aspeado em razão de sua notória e sabida inexistência na língua portuguesa, o que pode ser atestado pela simples consulta a qualquer (desde que seja bom) dicionário do vernáculo. O substantivo "desfusão" não existe pelo simples fato de inexistir no idioma o verbo "desfundir", do qual ele teria sido derivado. Compare-se, por exemplo, com os substantivos difusão, confusão e fusão, respectivamente derivados das formas dos verbos difundir, confundir e fundir, estas sim corretas e existentes no idioma. Ora, se tratam-se de substantivos derivados de infinitivos verbais, a inexistência de um verbo não pode gerar a existência de um substantivo dele derivado. Se, pois, não existe o verbo "desfundir", obviamente não existe um substantivo "desfusão".

Cordialmente

[Hamilton Cesar de Castro Carvalho, Advogado, especialista em Direito Internacional Público, Mestre em História e Geografia, Licenciado em línguas neolatinas, Licenciado em línguas eslavas, Licenciado em línguas anglo-germânicas, Licenciado em línguas mortas, com especialização dm latim, grego clássico e hebraico antigo, Professor de línguas (inclusive português) há 38 anos, Petrópolis RJ]