De: Antônio Agenor Barbosa
Data: Thursday, March 22, 2007 1:27 PM
Assunto: "Desfusão"

Caro Professor Hamilton Carvalho,

Como resposta à sua colérica observação, quero apenas deixar falar o que nos diz o escritor Luis Fernando Veríssimo sobre a gramática e sobre o vernáculo. Como concordo totalmente com o que nos diz o escritor eu faço minhas as palavras dele.

Diz o escritor:

1) “Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das sua palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa. Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda.”

2) "Sou uma pessoa que escreve na borda do sistema lingüístico. Explorando, ao máximo, a dimensão polissêmica das palavras. Puxo por elas, faço-as falar aquilo que acham que não querem falar. Desnudo-as de semânticas viciadas e ponho-as para trabalharem, para rodarem bolsinha nas esquinas do texto. No começo elas reclamam, gemem um pouquinho, mas depois adoram. Como se vê, há uma certa simbiose, uma interpenetração do escritor na palavra e da palavra no escritor."

Acho um pena que o senhor não tenha deixado a sua opinião a respeito da questão central abordada pelo meu artigo.

Um forte amplexo ao irascível professor.

[Antônio Agenor Barbosa é um dos autores do artigo que origina esse fórum de debates]