De: Rogerio Marcondes
Data: Saturday, July 23, 2005 4:36 PM
Assunto: Crise de identidade do Vale

Concordo com a Ruth Verde Zein , quando ela diz que, antes de debater uma solução (liberar o acesso de veículos) deveríamos responder a pergunta: “Qual é o problema?”

Qual será o motivo da reurbanização não ter dado certo? Junto com a Praça da Sé e a Praça Roosevelt , o Vale do Anhangabaú mostra que nos arquitetos ainda estamos em divida com a cidade. Não conseguimos planejar intervenções que, de fato, enriqueçam a vida urbana e não simplesmente grande perspectivas para fotos postais.

O desenvolvimemto da cidade não fez do Vale um lugar de convergência, a exceção do pequeno Cine Cairo, não lembro de qualquer edificação cujo endereço poderia ser “Vale do Anhangabaú, numero x”. Ali, o que acontecia de interessante era, usando os viadutos , passar por cima da avenida , ter a perspectiva do grande eixo de circulação da cidade e entrar de novo na malha urbana do centro da cidade.

Com esta dinâmica o projeto implantado acabou. Em contrapartida cidade ganhou uma grande área desocupada (apesar de bem mantida). O Vale reformado não agregou novos valores ou usos ao Centro, não atraiu um publico novo nem catalisou a aparecimento de novas atividades.

A região não carecia de mais área para pedestres. Os usos que hoje ali acontecem (pregação evangélica, artistas de rua, etc) são poucos, e já aconteciam melhor e mais intensamente nas ruas do Centro. Não é um bom lugar para descansar e contemplar (como o Parque da Luz). Também não é uma grande palco para eventos, comícios e shows (como a praça Charles Mueller).

O problema do Vale é de crise de identidade.

[Rogerio Marcondes, arquiteto, São Paulo SP]