| De:
Jorge Wilheim
Data: Thursday, August 11, 2005 5:38 PM
Assunto: Eric Verhoeckx
Na longa intervenção
do colega Eric se entrelaçam e sobrepõem diversos temas,
muitos certamente dignos de serem aprofundados. Por ora somente focalizo
um: a relação entre espaço e lugar
no contexto da re-urbanização do Vale do Anhangabaú.
Dependendo do autor, há mais de um critério e definição
de espaço e de lugar. Costumo adotar o de que
espaço é um conceito físico, mensurável,
uma micro-paisagem urbana definida; enquanto o lugar tem uma
conotação antropológica e psicológica. No
caso do Anhanhabaú, buscamos, no concurso, propor um espaço
que resolvesse funcionalmente os problemas existentes e que proporcionasse
à população do centro a oportunidade de adotá-lo
como lugar. O colega Eric equivoca-se ao desconfiar de que eu não
tenha estado há muito tempo por lá... Durante quatro anos
cruzei e passeei no Anhangabaú... diariamente, pois
lá trabalhava! E de minha janela acompanhava com emoção
os diversos flashes de vida urbana que se desenrolavam naquele espaço,
o uso que lhe era dado por aqueles que adotavam este ou aquele setor.
Há uma intensa e diversificada vida no Vale. Mas não se
pode confundir "vida" com "congestionamento"; uma
arquibancada de estádio é tão viva quanto um casal
namorando em banco de praça... Concordo com Eric em um ponto:
instituições e ONGs poderiam utilizar mais o espaço
disponível, realizando museus de rua, pequenos concertos (não
necessariamente mega-eventos); mas prefiro que isto venha a ocorrer
naturalmente, com o tempo. É, por isso, necessário que
demos tempo a este espaço! E que não o destruamos nem
o prejudiquemos abrindo vias carroçáveis sem justificativa
aceitável.
[Jorge Wilheim é autor
do artigo que origina este fórum de debates]
|