De: Eric Verhoeckx
Data: Monday, August 15, 2005 12:24 AM
Assunto: Concordâncias e discordâncias

Prezados(as) leitores(as) e participantes no debate,

Agradeço ao Jorge Wilheim pela resposta à minha – de fato longa – intervenção anterior.

Sobre as concordâncias e discordâncias.

Talvez não ficou claro, mas sou tão veemente contra a abertura do Vale para carros como o Jorge Wilheim e saliento que a Associação Viva o Centro, desde muito vem plantando, tácita mas insistentemente, a semente para abrir o Vale para o trânsito motorizado, em cada ocasião do túnel em baixo inundar, como "via de fuga" para o trânsito. Recentemente, na sua voluntarista capacidade de impor idéias como soluções, inventou mais uma, que aliás também já vem de muito tempo (1). Agora o que se vê (talvez por seu "idealizador" ter saído do pedaço), é que o Vale virou um park-in de carros "oficiais" ou nem tanto, sem seu "mantenedor" reclamar.

Gostaria de deixar bem claro também que admiro muito o esforço do Jorge Wilheim de ter nos fornecido um levantamento minucioso do centro (2), através do – e desprezado pela Associação Viva o Centro – "chamado Plano Regional para o Centro, que faz parte do Plano Diretor", como já citei antes.

Fiquem minhas dúvidas, partindo de uma reflexão sobre o uso político das nossas ciências quando chega à sua forma "aplicada". Há um exemplo para dar (distante no tempo e no espaço) de como a antropologia, pela obra (encomendada!) de Ruth Benedict, uma das ícones da antropologia, forneceu as diretrizes para que os EUA pudessem obrigar o Imperador do Japão a "abdicar" das suas origens divinas (3).

Jorge, o vencedor – e não quem a faz – é o dono da lei!

Aqui, discutindo o que se queria alcançar com o esforço de criar espaços para dar lugares e em que, de fato, se deu este esforço, estamos na obrigação de nos dar conta e discutir abertamente o uso "aplicado", político, destas intervenções "idealizadas". Só pensando em Prestes Maia e como deva estar rebolando na sua cova!

Abraço, Eric

Notas

1
O uso do tempo, como seu uso da imagem, são impressionantes na prática da Associação Viva o Centro. Ela demora para publicar. O seminãrio Centro XXI, de 94, saiu em livro só em 2001. E outras publicações, como 'O Calçadão em Questão' e 'Pólo Luz', são igualmente atemporais, seguindo uma lógica particular.

2
http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/planejamento/zoneamento/0064.

3
BENEDICT, Ruth. O crisântemo e a espada. São Paulo, Perspectiva, 2002 (mais recente edição em português).

[Eric Verhoeckx, holandês, autônomo, antropólogo, arquiteto, morador do centro desta cidade]