| De:
Mário Yoshinaga
Data: Monday, November 28, 2005 6:51 PM
Assunto: Artigo 139 - comentário
Michel, parabéns
pela provocação que gerou tantos comentários. O
minhocão é um símbolo do período da ditadura,
de total desrespeito aos moradores e comerciantes das ruas atingidas
pelo projeto, principalmente a Avenida São João. Demolir,
sim. Mas quando? Quando puder implantar uma rodovia subterrânea
de quatro faixas como em Boston, além de algumas pontes e viadutos,
com alguns bilhões de dólares? Uma obra que levou quase
trinta anos e respondeu por dezenas de ações ambientais?
Ou quando puder ser substituida por um viaduto todo encapsulado por
proteções de ruído, parecendo um grande prédio
linear, ou um túnel aéreo, como em Kobe? O custo para
demolir torna-se irrelevante de der lugar a um benefício ao ambiente
urbano. Se depender da vontade popular, dos que hoje residem nos prédios
ao longo do minhocão, o resultado será negativo. Os pobres
que conseguiram um espaço desvalorizado na área central
da cidade, graças ao minhocão, não querem ouvir
propostas de demolição, com certeza. O poder público
deveria pensar com o cérebro da iniciativa privada, e a visão
dos empreendedores, e colocar os custos da demolição e
da reurbanização do espaço, inclusive com vias
subterrâneas, para serem pagos pelos proprietários dos
imóveis - que terão grande valorização.
Inverta-se o processo. Em vez de proprietários lucrando com os
investimentos públicos, o poder público beneficiando-se
da lucratividade imobiliária. A ligação Leste-Oeste
poderia ser feita por elevados de grande altura, em torno de 30 ou mais
metros, que ligariam desde o viaduto da Radial Leste no cruzamento com
a ferrovia, até o viaduto-ponte sobre a marginal do Tietê
(ou Pinheiros?). Rodovia urbana sem acessos, a não ser para prédios
de estacionamentos. A rota desse elevado seria sobre a via férrea
Santos-Jundiaí. Com o minhocão demolido, seria implantado
ruas subterrâneas de tráfego local, o térreo para
jardins, e a parte aérea, depois de demolidos as lages e vigas,
uma pista de apenas 4 metros de largura (variável) para circulação
de pedestres, ciclistas e, se for o caso, de algum transporte leve de
baixo impacto. É isso. Uma pequena provocação.
[Mário Yoshinaga,
arquiteto, São Paulo SP]
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