De: Geraldo Costa
Data:
Monday, May 18, 2009 2:21 PM
Assunto: Belo tema....

Caro amigo,

Atualmente, vivo em Porto Alegre, nasci e cresci e me formei em São Paulo, como arquiteto, minha família minha mãe, mora na Alameda Barão de Limeira, eu vi e senti na pele a marca deixada da administração Paulo Maluf, na época da sua construção, e isso foi a morte da Av. São João e das Vilas da Rua Frederico Steidel, poucos sabem o que significa que eram casas operarias de excelente qualidade onde havia uma bela Paineira, ...que dava nome ao nosso time de futebol....bons tempos....!!??? que sumiu do mapa e literalmente toda uma história que está na minha memória que recorda a morte do bairro Santa Cecília e Campos Elíseos ou de prédios como o Racy, com uma concepção modernista em termos de projeto, do Cinerama, da própria Av. Duque de Caxias .... eixo viário que foi desmontado em nome de um pretenso crescimento e desenvolvimento da cidade de São Paulo, em um período de extrema pressão da ditadura militar...medidas extremas...

Hoje ! instrumentos de resistência são necessários como a implosão deste monumento imoral no espaço urbano de São Paulo, é muito fácil defender a memória ou a valorização de bens comuns aos cidadãos mas quantas pessoas pagaram em nome do seu bem estar...Antigamente tinha uma linha de bonde vulgo "camarão" que saia da praça do Correio até o Parque da Água Branca...ou até a Lapa...mas deixando de lado a saudade, ... porque não implantar uma linha de Bonde (Metro de Superfície) como existe nas Capitais Européias, Barcelona, Valencia, Praga, Viena, Bruxelas ...já que adoramos pedir o metrô subterrâneo que o custo é algo impressionante...clamo pela minha memória a revitalização e a reabilitação do espaço da Av. São João ...uma nova forma de pensar as cidades...Afinal deixar a luz para aqueles moradores que lá vivem à beira do Minhocão possam sentir o silêncio e a ausência do ruído dos motores em suas casas ...vamos deixar a luz entrar naqueles prédios que hoje fazem parte de um acervo arquitetônico do modernismo paulista da década de 60 e 70 que está escondido e que pouco valorizamos...afinal este acervo é final do Séc.XX e estamos no Séc.XXI...na porta do milênio...

Na verdade eu só quero parabenizar pelo belo texto...acabei me empolgando...

Grande abraço

[Geraldo Costa, arquiteto, Porto Alegre RS]