| De:
Jorge Mario Jauregui
Data: Tuesday, November 01, 2005 6:01 PM
Assunto: Jorge Jauregui responde a Fábio Roberti
Estimado Fábio,
obrigado pelo seu comentário sobre o artigo. Com relação
aos esclarecimentos que você sugere, devo lhe dizer o seguinte:
- Um Plano de Desenvolvimento
Urbanístico e Social, deve, necessariamente, estar articulado
com uma política de segurança do cidadão, que,
em princípio, não deveria ser de tipo "haussmaniano"
senão baseado numa "ocupação social".
Isto é, apoiado numa ação de repressão
coordenada com ações de inclusão social contemplando
educação, saúde, habitação, geração
de trabalho e renda e atividades artístico-culturais e esportivas.
Para isso é necessaria uma "inteligência" maior
que a militar-policial, que até agora o que tem feito é
acirrar os conflitos e não resolvé-los. Inteligência
nesta área tão delicada implica uma estratégia
de desarmamento (inclusive dos "espíritos") e a imposição
de um armistício capaz de instaurar uma possibilidade de diálogo,
de negociação.
- Quanto a catalogar,
verificar e melhorar a qualidade das habitações existentes,
não há dúvida da sua necessidade. Mas isto deve
ser feito junto e concomitantemente com a ação coordenada
das três instâncias do poder público quanto a oferecer
alternativas realistas de acesso ao financiamento da casa própria
para os setores de mais baixos recursos, com planos de pagamento a
serem completados inclusive no transcurso de duas gerações.
Isto junto, é claro, com a implementação de programas
sociais complementários da urbanização, sem o
qual a efetividade das ações fica fragilizada.
- A ação
do tráfico nas favelas deve ser combatida primeiramente com
a implementação de alternativas de inclusão social,
hoje muito débeis da parte do poder público e do resto
da sociedade "incluída". Por tanto, a ação
repressiva deve ser posterior e não anterior à ação
propositiva quanto à geração de alternativas
econômico-culturais. Reprimir sem oferecer nada (ou quase nada,
em paralelo) com se faz hoje através da "inteligência"
militarizada, não só não resolve quanto aumenta
o malestar social. É de uma outra inteligência que a
sociedade precisa, baseada no respeito às diferenças,
no diálogo e na construção social de alternativas
inclusivistas. O "cal" de que precisamos é aquele
capaz de permitir a amálgama de iniciativas socialmente validadas.
E para isso é necessário se submergir nos problemas
para sermos capazes de nos aproximarmos o mais possível do
potencial.
[Jorge Mario Jáuregui,
arquiteto e urbanista, é autor do artigo que originou esse Fórum
de Debates] |