De: Rodrigo Azevedo
Data: Monday, November 07, 2005 10:26 AM
Assunto: Contribuições ao texto de Jorge Jauregui

Caro Jorge,

Me parece que a cidade do Rio de Janeiro vive, a mais de 10 anos, um grande medo de intervir em seu próprio território. Entender a superfície da cidade como um laboratório de experiências espaciais, onde o que está construído pode ser demolido, e o que está deteriorado pode ser transformado, e assim por diante. Desta forma, a discussão acerca da favela, segue, pra variar, o rumo equivocado. As soluções, como você bem enumera em seu texto, já estão lançadas ha anos, faltando apenas coragem da sociedade para implementar e resolver a questão. A crise economica e politica que assola o Rio de Janeiro a pelo menos 12 anos, tem como consequência poucos investimentos produtivos na cidade, sejam eles públicos ou privados. A cidade passa a ser cada vez menos "manipulada", e quando novos investimentos aparecem, buscam territórios virgens, sem "complicadores". Assim, a cidade mantêm uma paisagem urbana congelada, sem maiores alterações, como se a situação atual fosse ideal. O Rio de Janeiro é hoje uma cidade que tem pudor em manipular seu próprio território. A partir desta imobilidade social no que se refere a transformação contínua e permanente da urbe, pergunto se o "problema" da favela não é o mesmo que encontramos em diversos pontos da cidade, como a área portuária do Rio de Janeiro, ou a área central, ou a Barra da Tijuca, zona norte, etc.? Estamos diante de um pavor em se atualizar a cidade? Ou seria uma total falta de competência no entendimento dos potenciais da urbe, capitaneada principalmente por nossa classe?

Um abraço

[Rodrigo Azevedo, arquiteto, Rio de Janeiro RJ]