| De:
Adriano A. M. Gomes
Data: Thursday, November 10, 2005 9:14 PM
Assunto: Favelas do Rio
Caro Jaurégui,
Parabéns pela
clareza e objetividade do artigo. As soluções realmente
se mostram simples e o caminho a seguir bem claro. No entanto me parece
que as vozes sensatas simplesmente ecoam no vazio. O descaso com a favela
(aliás ela éfruto deste descaso) é uma regra. Pior
do que isso o profundo mal estar que elas provocam em uma parcela significativa
da sociedade (classes média e alta principalmente), que tenta
fingir que aquilo não existe até que tropece nos seus
dejetos ou seja atingida pela violência que assola seus moradores
há décadas. Nesta hora, quando constatam que ignorar não
as faz desaparecer, partem para o velho discurso reacionário
de extingui-las, ou seja remover seu moradores para bem longe. Se eu
não posso vê-las, nem cheirá-las, ou se suas balas
perdidas não me atingem, elas passam a não existir.
Esse pensamento, amplificado
diariamente pela mídia contagia também os moradores das
favelas, só que de outra forma, baixando sua estima e perpetuando
a visão de que aquilo é e será sempre um lugar
inferior para se viver. Existe uma enorme diferença entre o pensamento
"Só estou aqui porque não tenho opção;
se pudesse me mandava" e o outro "Este é o lugar aonde
estão minhas raízes e é preciso fazer dele o melhor
lugar para se viver". A favela, enquanto for tratada como favela,
será sempre uma favela. É preciso que se encare essas
áreas como outra qualquer da cidade, com suas deficiências
e potencialidades. A Rocinha tem verdadeiros "absurdos urbanísticos",
mas a Barra também os têm! É fundamental que a favela
deixe de ser favela e passe a ser apenas mais um local da cidade e para
que isso ocorra serão necessárias mais do que intervenções
urbanísticas. Sejam elas pontuais ou globais.
[Adriano A. M. Gomes,
arquiteto, Petrópolis RJ] |