| De:
Jorge Mário Jauregui
Data: Tuesday, January 24, 2006 12:54 PM
Assunto: Entre o Morro e o Asfalto - resposta
Estimada Michelle,
Em poucas palavras
não é possível elaborar em profundidade uma reposta para uma questão
tão complexa como esta da articulação da cidade e da sociedade partidas.
Mas como eu entendo
que a forma de aproximação a um problema é decisiva, valiam, a título
de sugestão, algumas considerações que mereceriam um seminário inteiro
para serem minimamente bem abordadas.
Como sabemos, na intenção
de articular a cidade partida concorrem quatro fatores básicos:
- O tratamento dos
fatores físicos (infraestruturais, urbanísticos e ambientais);
- O tratamento dos
fatores sociais (econômicos, culturais e existenciais);
- O tratamento dos
fatores ecológicos (nas suas três dimensões: ecologia mental, ecologia
social, ecologia do meio ambiente);
- O tratamento dos
fatores relativos à segurança do cidadão.
Tudo isso equacionado
desde a formulação do Projeto de Desenvolvimento Socio-Espacial (PDSE)
que deve articular todos os fatores numa perspectiva temporal, identificando
os possíveis parceiros tanto na área pública quanto privada, ONGs e
outros organismos e organizações.
Mas isso só pode ser
feito a partir da leitura da estrutura do lugar e da escuta das demandas
da população, estruturados desde o PDSE, formulado mediante equipe multidisciplinar,
coordenada por Arquiteto/a Urbanista.
Como pode se perceber,
trata-se de uma tarefa complexa que envolve o diálogo e a negociação
público-privado-comunidade-organismos de financiamento. Isto é, muito
complexas articulações.
Mas o poder público
tem nisto um papel especial; criar condições, favorecer a criação de
um lugar onde estes projetos possam ser formulados e evoluir.
Por isso gostaria
de dizer, sinteticamente, que toda intervenção, de acordo com a sua
escala, deve ser entendida como a ocasião de proposições inovadoras
de reorganização urbana, buscando superar as atuações tradicionais por
setorização de funções e responsabilidades.
Atuações fortes e
rápidas devem ser portadoras ao mesmo tempo de uma visão de longo prazo
das transformações procuradas, transformações que deverão ser impulsionadas
pela concepção geral elaborada, o equacionamento das fontes de financiamento,
a inscrição no território da cidade e o reforço da mobilização dos destinatários
diretos.
A concepção de um
urbanismo com sentido social (responsabilidade e conteúdo), implica
fortemente a exigência de fazer a articulação entre uma visão de conjunto
dos problemas socio-espaciais de um lado, e a necessidade de produzir
ações concretas capazes de evoluir no tempo do outro.
Colocar em jogo, possibilitar,
provocar um processo de evolução socio-espacial implica claramente uma
retomada de confiança na palavra política dos agentes envolvidos, tanto
públicos como privados.
Jorge Mario Jáuregui
[Jorge Mario Jáuregui,
arquiteto e urbanista, é autor do artigo que originou esse Fórum
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