| Anexo
02
Autores:
Marcio Mazza e Rubens de Almeida
Data: 17 de outubro de 2005
Documento: Mirante Masp. Um (amplo) olhar para São Paulo (coletânea
de depoimentos)
Como contribuição
às avaliações que vêm sendo realizadas sobre o projeto do Mirante
Masp do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, decidimos
contatar cerca de 30 personalidades que participam ativamente do mundo
cultural, arquitetônico e econômico da cidade, para buscar suas opiniões
sobre o impacto da obra.
Solicitamos
que se expressassem livremente, considerando alguns aspectos importantes
vinculados à iniciativa, como:
- a
importância da obra para Metrópole e para o MUSEU;
- o
impacto cultural, turístico e econômico da construção de uma torre
com
- belvedere
de visitação, observação e apreensão da cidade;
- a
interferência do projeto na ambiência do prédio do museu, no parque
Trianon
- e
sobre o vale da Avenida 9 de Julho.
E o resultado,
como veremos a seguir através das declarações dos mais diferentes profissionais
e dirigentes, foi de total apoio à iniciativa do MASP e as transcrições
de trechos dos depoimentos colhidos não deixam dúvidas da pertinência
e importância, para São Paulo, em todos os níveis, da construção do
Mirante Masp, exatamente no ponto, onde ele sempre existiu: junto
ao antigo Belvedere do Trianon.
Sobre
a importância da obra para a metrópole paulistana
“A iniciativa
é louvável sob todos os aspectos” começa Abram Szajman, Presidente
da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Para ele “utilizar
o edifício anexo ao MASP e nele instalar também um belvedere e uma torre
110 metros acima do espigão da Paulista, de onde se poderá ver toda
a cidade” (...) terá importância, todos sabemos, na cultura, na paisagem
e no turismo de São Paulo e conta, desde já, com o apoio desta entidade”.
Trata-se de criar um novo marco para a cidade de São Paulo, na visão
de Pedro Cury: “Um mirante naquela posição vai possibilitar
a visão de toda a cidade e certamente trará um impacto positivo de visitação
e compreensão da metrópole”.
Já para
Raimundo de Paschoal, professor de Urbanismo das Faculdades Belas
Artes, resume “A nova edificação reúne e interpreta as qualidades
do corredor da Avenida Paulista e seu “skyline” é ajustado perfeitamente
à verticalização local. Cuida de não interferir nas estruturas de transmissão
de rádio e televisão e sem dúvida é um novo totem do qual o usuário
terá as vantagens da prestação de serviços que o Masp organizará na
nova estrutura. Será, também, um excelente observatório da grandiosidade
de São Paulo (...) atraindo, pela própria natureza do Masp novos freqüentadores
ao local”.
O atual
presidente do IAB/SP, arquiteto Paulo Sophia, reforça a tese
de que a obra segue o movimento da cidade, uma vez que “O projeto
de ampliação do MASP e da construção da torre com belvedere na av. Paulista
se enquadra muito bem ao processo daquela região da cidade. São Paulo
precisa ser compreendida também pela dinâmica dos objetos e elementos
urbanos que compõem a sua paisagem. São Paulo merece uma intervenção
como essa e a Paulista comporta perfeitamente esse tipo de monumento”.
Opinião
é reforçada com entusiasmo pelo arquiteto José Eduardo Tibiriçá, que
participa de vários fóruns que acompanham o desenvolvimento da cidade:
“torço pela aprovação do Belvedere do Masp sobretudo porque seria
um excelente sinalizador indicando, ao realizador povo Paulista, que
já é novamente possível sonhar e realizar em São Paulo”.
O arquiteto
Décio Tozzi vai mais longe e propõe que a iniciativa seja continuada,
para que a cidade ganhe condições de enxergar a si mesma, de vários
pontos da Paulista. “Sugiro que além do mirante do Masp, a cidade
possa conquistar pelo menos mais dois mirantes na Paulista: um na Osvaldo
Cruz e outro no extremo oposto, que se abra para o bairro do Pacaembu.
O fato é que a idéia é tão boa que ficamos com vontade de propor outros
locais que poderiam ser objeto de outros mirantes. A torre não vai incomodar,
é singela. Sai de um topo de um prédio”.
Já Heloisa
Proença, ex-secretaria Municipal do Planejamento, acredita que “a
idéia de se garantir um mirante na Av. Paulista que consiga perpetuar
a histórica vista do Trianon, o vão do MASP e o próprio Museu de Arte
de São Paulo é importante e merece ser discutida com seriedade e espírito
público”.
E, para
resumir, Carlos Bratke confessa: “Como cidadão gostaria muito de
ver minha cidade recuperando edifícios em estado de abandono, criando
novos espaços destinados a cultura e a educação, erigindo uma nova atração
turística como uma torre/belvedere proposta, elemento urbano fundamental,
existente em centenas de cidades vaidosas em todos os lados da Terra”.
Sobre
a importância da obra para o MASP
“Ter
recursos da iniciativa privada para garantir a viabilização econômica
da obra eproporcionar, ainda, um retorno financeiro para custear a manutenção,
sobrevivência e incremento do Masp nos parece uma oportunidade imperdível”,
foi a constatação do arquiteto Henrique Cambiaghi. A opinião
é compartilhada também pelo arquiteto Pedro Cury, atual curador
da 6ª. Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo: “O projeto
do Mirante vai propiciar a independência financeira do MASP e vai permitir
que mais recursos sejam colocados à disposição para novas exposições
e até mesmo para garantir a manutenção adequada do prédio do museu (...)
e proporcionar novos e importantes eventos culturais”.
Na mesma
linha de raciocínio, segue a opinião do arquiteto Marcos Gadelho,
Pró-reitor da Universidade de Guarulhos, que afirma ser favorável à
construção do Mirante, porque “cria uma ‘fonte alternativa’ de receita
para o MASP e conseqüentemente para a preservação do Bem tombado”,
com o que concorda também outro professor, o arquiteto Pedro Paulo
de Melo Saraiva, ao afirmar “Acredito que o Mirante MASP vai
propiciar um reforço financeiro de apoio às atividades características
do Masp além de integrar volumétricamente o skyline da Avenida Paulista,
preservando aquele espaço vazio em que o MASP se insere”.
Carlos
Bratke, outro arquiteto de renome internacional, entende que “parece
lógica a construção de uma torre/belvedere vizinha ao MASP, como forma
de garantir recursos para manutenção e incremento de suas atividades
(...) de forma patrocinada, sem a necessidade de aumentar impostos,
criar taxas, de mexer no nosso bolso”.
Sobre
o impacto cultural e turístico para a cidade
Neste aspecto,
a análise começa por um especialista como Danilo Santos de Miranda,
Diretor Regional do SESC em São Paulo: “A torre do MASP trará um
benefício social e cultural, e portanto, o interesse é público e comunitário.
Vai ser mais um elemento urbano significativo para a avenida Paulista
e será bem recebida pela cidade”. Tal posição é reforçada pela opinião
do Presidente do São Paulo Convention&Visitors Bureau, Orlando
de Souza que acredita que o “melhor aproveitamento do espaço
do Museu para exposições e outros eventos e a transferência da área
administrativa para outro edifício (...) ativará a prática turística
como se vê nas principais capitais do mundo (...)”.
O presidente
do SINDETUR – Sindicato das Empresas de turismo no Estado de São Paulo,
Eduardo Vampré do Nascimento, se entusiasma ao afirmar que “louvamos
a iniciativa do Masp de instalar neste futuro anexo ao museu um belvedere,
destinado à visitação pública, em torre com mais de 100 metros acima
do espigão da Paulista, proporcionando aos visitantes uma vista única
e espetacular de quase toda a cidade”.
Solidariedade
à idéia de ampliar os horizontes turísticos da cidade também é manifestada
pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Nelson Baeta:
“a exemplo das demais torres existentes no mundo (...) o mirante
devolverá a São Paulo o horizonte que lhe foi subtraído pela atual muralha
de edifícios”. Como presidente da Associação Paulista Viva e uma
das pessoas mais sensíveis à intervenções na ‘sua avenida’ e profundamente
interessado na melhoria dos equipamentos urbanos existentes na Av Paulista,
Baeta completa, afirmando que “a comunidade da região (...)
apóia integralmente o projeto do MASP, que enseja a recuperação do edifício
há muitos anos abandonado. (...) Iniciativas dessa magnitude contribuem
decisivamente para a efetiva revitalização e preservação da Avenida
Paulista como principal símbolo de nossa cidade, o que certamente é
do interesse de toda a coletividade paulistana”.
Inclusive,
indignado, Alencar Burti, Presidente da Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil, convida “todos a refletirem
se é ou não uma incoerência: após a cidade de São Paulo assistir a construção
de inúmeras torres na nossa Avenida Paulista, sem que houvesse reações....
por que então, questionar exatamente essa, a única cuja finalidade está
vinculada ações empresariais em benefício da cultura, da educação, do
turismo e da cidade como um todo. Proibir a torre seria uma injustiça
e uma discriminação contra o MASP, contra a cultura, contra o turismo
e contra a cidade e seus cidadãos”.
As entidades
vinculadas à cultura se manifestam de maneira semelhante e chamam atenção
também em relação ao impacto sobre a paisagem, como diz Manoel Francisco
Pires da Costa, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, para
quem o “Mirante além de ter forte recuo em relação à parte frontal
do edifício (...) é menor que a maioria das torres instaladas na avenida.
Com ele, São Paulo ganha novo ponto de turismo e de lazer, que permitirá
aos visitantes uma visão completa e panorâmica da cidade, nos moldes
de grandes capitais espalhadas pelo mundo”.
A mesma
observação tem Cyro del Nero, cenógrafo e professor da Escola
de Comunicações e Artes da USP, para quem o projeto é importante pela
cultura e pelo aspecto da educação nas artes, mas também pelo fato do
“oportuno mirante panorâmico é lazer e turismo para os paulistanos,
significando ainda o coroamento sobre oito andares que se dedicarão
ao ensino das artes”. E completa: “opor-se a esta idéia é manifestar
sem dúvida uma opinião desinformada e apenas no clima de ouvir dizer”.
Tal opinião
é reforçada pelo arquiteto Henrique Cambiaghi, para quem “A
oportunidade de recuperar um edifício em plena Avenida Paulista há muitos
anos abandonado, dando a ele um uso tão importante e significativo,
associando uma Torre /Mirante que sem dúvida se tornará num marco e
num grande atrativo turístico de nossa cidade já é por si só um grande
feito”. E complementada por outra declaração: “este é o verdadeiro
marco, que vai promover a independência do Masp, gerar recursos e proporcionar
novos e importantes eventos culturais”, completa o arquiteto Pedro
Cury.
Opinião
inconteste sobre o projeto é também a de Marcos Arbaitman, Ex
Secretário do Turismo do Município de SP, que também analisa a iniciativa
sob o aspecto turístico e cultural: “a existência de uma torre com
mirante junto ao Masp só reforça uma característica que a Avenida Paulista
já tem, de ser um pólo de atratividade dos visitantes na cidade, sejam
brasileiros ou estrangeiros. Por estar no ponto mais alto da metrópole,
a torre vai servir como uma referência muito interessante, que identifica
e unifica os vários pólos culturais que se espalham pela Avenida, como
o próprio Masp, o Itaú Cultural, os cinemas, as livrarias, os bens tombados”.
Já Romeu
Chap Chap, presidente do SECOVI, prefere uma análise ao mesmo tempo
objetiva e poética, ao afirmar que o projeto foi “concebido para
interferir minimamente no entorno do museu e o mirante proporcionará
a todos uma nova forma de ver a cidade. Representará um veículo para
que possamos admirá-la e respeitá-la, trazendo-a para dentro do olhar
e do coração de todos que puderem, do alto, reconhecer sua generosidade
(...)”. E completa: “o apelo cultural e mesmo a oportunidade
de conferir mais vida à noite da Avenida Paulista (...) merecem o apoio
de todos nós”.
Sobre
a interferência do projeto na ambiência do edifício do Masp
Os depoimentos
recolhidos também buscaram opiniões e declarações sobre a questão mais
polêmica da implantação do projeto de expansão do MASP, que é a possível
interferência do Mirante Masp sobre a arquitetura marcante de
Lina Bo Bardi e o entorno desse – visuais do Vale do rio Anhangabaú
e Parque Trianon.
Sob este
aspecto, houve uma grande confluência de opiniões, cujos trechos mais
significativos, reproduzimos abaixo:
O arquiteto
e urbanista José Magalhães Jr, ex Vice presidente a Emurb, antecipa
de forma sintética e objetiva, o real quadro em que o Mirante Masp
se insere: “O que deve ser avaliado é como a intervenção se comporta
na convivência com o patrimônio público que é tombado. Nesse aspecto,
a iniciativa não interfere na principal característica da obra marcante
de Lina Bo Bardi, que é a visualização transversal do grande vão do
edifício do MASP. De um lado, o Parque Trianon e do outro,o vale da
Avenida 9 de Julho e a visão do centro da cidade. Essas são as visuais
importantes. Se fôssemos considerar a intervenção da torre na paisagem
da Avenida como um todo, então as demais torres deveriam passar pelo
mesmo processo, porque a sua evidência não se dá para um transeunte
da Avenida Paulista, mas para o conjunto do skyline da região”.
Para Henrique
Cambiaghi, “a escala e as proporções da Torre/ Mirante em nada
prejudicam ou prejudicarão o skyline da Avenida Paulista,ou de nossa
cidade, a ambiência e a volumetria do MASP. Muito pelo contrário será
um motivo de orgulho para todos os cidadãos paulistanos”. O arquiteto
José Carlos Ribeiro de Almeida, ex-Presidente do Condephaat,
vai mais longe na defesa do projeto: “Recuperar o edifício na esquina
que decaiu por abandono, só melhora o entorno do museu. A construção
do mirante não interfere em nada, pois além de reafirmar o caráter da
Paulista verticalizada com as suas inúmeras torres, ambiência característica
do MASP, sequer entra no campo visual de quem se encontra nas suas imediações.
Não vejo o menor sentido em criticar a recuperação do prédio da esquina
e a construção da torre com mirante”.
“A torre
é esbelta, não vai prejudicar a visão do vale e não tem interferência
negativa na paisagem”, afirma Pedro Cury. Tal consideração
é aprofundada pelo também arquiteto Pedro Taddei Neto, com a
experiência de quem também dirigiu o IAB, a Emplasa e o Programa
Monumenta: “O mal não está na criação de mirantes numa região
urbana vasta e rica em diversidade geomorfológica e urbanística, e sim
na sua gradual extinção. Considero que este é um assunto de interesse
público e, portanto, deve a Municipalidade tomar a dianteira buscando
soluções para preservar e multiplicar os mirantes de São Paulo, com
o concurso da comunidade e da iniciativa privada”.
Para Celso
Vieira, presidente do SINDELIVRE – Sindicato das Entidades Culturais
do Estado de São Paulo, ninguém da área da cultura pode ficar calado
e que ele se sente “na obrigação de expressar, em meu nome e no do
sindicato que representamos, nossa perplexidade á subjetiva interpretação
de que o projeto da nova torre interfere na ambiência do edifício sede
do MASP, visto que estas edificações são totalmente separadas por uma
via pública”.
A mesma
posição em relação à polêmica que se seguiu ao anúncio do empreendimento
é compartilhada também pelo arquiteto Carlos Heck, ex-presidente
do Iphan e do Condephaat: “A verticalização das edificações da Avenida
Paulista há vários anos é um marco na paisagem urbana na cidade de São
Paulo. (...) não vejo como um edifício em altura já existente, que para
se adequar como um anexo do MASP modifique seu gabarito de altura, afete
a proteção do patrimônio arquitetônico do edifício sede do MASP, pois
no seu entorno mais próximo ou distante, a verticalização existente
não criou e não cria nenhum impacto ambiental no entorno ou na sua área
envoltória, que possa obstruir visuais no nível de circulação dos cidadãos
usuários, na sua leitura clara da volumetria arquitetônica do Edifício
sede”.
Seguindo
o mesmo raciocínio está a arquiteta Nadia Somekh, da Faculdade
de Arquitetura Mackenzie e ex-presidente da EMURB, para quem “A cidade
de São Paulo, mesmo em regiões ou áreas próximas à edificações tombadas,
não pode ser congelada. (...) uma torre ao lado do MASP na Paulista
- mesmo sem conhecer os detalhes do projeto arquitetônico e sua composição
com o entorno - em nada poderá prejudicar a força do prédio do MASP”.
Já Heloisa
Proença, está ”segura de que é possível encontrar uma solução
de projeto que preserve a ambiência do MASP e que seja compatível, em
termos de paisagem urbana, com a avenida símbolo de São Paulo”.
Até porque,
como afirma o arquiteto José Eduardo Tibiriçá, o projeto “realmente
não interfere nas visuais e na ambiência do MASP; mas, como um todo,
irá aumentar significativamente o potencial de ação cultural do MASP.
Ele acrescentará à paisagem da Paulista e de nossa cidade um importante
ponto de atração e de contemplação de nossa paisagem urbana estimulando
a cidadania consciente e responsável”. A mesma afirmação categórica
faz o arquiteto Marcos Gadelho com a experiência de ter sido
Presidente do Condephaat: “minha opinião é favorável ao projeto exatamente
porque não compromete a ambiência do bem tombado, não interfere na volumetria
do bem tombado e não interfere na paisagem local”.
Décio
Tozzi chama atenção para a característica única da futura torre
do Masp em relação às demais, já existente na avenida: “acredito
que não será o acréscimo de mais uma torre que vá incomodar. Aliás,
o conjunto de marcos da Paulista forma o grande macro-marco visual da
cidade e, nesse sentido, a torre do MASP só se acrescenta. Enquanto
as outras torres são utilitárias, a do MASP terá um grande significado
cultural e um mirante para que todos possamos “ler” a área metropolitana.
Trata-se de uma iniciativa que deve ser saudada como um novo conteúdo
para a cidade. A torre é singela”
Já para
o arquiteto Gilberto Belleza, também curador da 6ª BIA – Bienal
Internacional de Arquitetura de São Paulo, toda a discussão que está
havendo é “extremamente intensa e positiva, e aconteceu também na
ampliação tanto do Museu Gugenheim de Nova York quanto do Museu do Louvre
em Paris, com resultados bastante corretos e respeitosos. Por isso,
ao meu modo de ver, a construção de uma torre alta anexa ao Edifício
do Masp, jamais poderá ser imputada como agressora ao ambiente existente,
o que inviabilizaria a convivência entre esses dois edifícios. Muito
pelo contrario, ao meu modo de ver, a relação entre ambos poderá exprimir
melhor ainda a identidade da Avenida Paulista, como marco do progresso
Paulista e Brasileiro”.
“Aos
que se agarram ao patrimônio histórico” – observa com sua sensível
percepção, o arquiteto Sérgio Teperman, – “digo que a vida
de São Paulo, a sua expressão, a sua cara, é a de uma cidade moderna,
contemporânea, avançada. A torre complementa essa imagem e o MASP continuará
merecidamente tão visível como sempre foi e receberá um prédio de apoio
condizente com a sua importância”.
Para finalizar
esta série de depoimentos escolhemos alguns trechos do depoimento encaminhado
pelo arquiteto Paulo Sophia, atual Presidente do IAB/SP:
“A torre
com mirante terá uma presença mágica, muito diferente do dia a dia das
construções comerciais que marcam a Paulista. A Paulista é um lugar
propício para esse tipo de intervenção. Ali, nada precisa ser tão alto
para oferecer uma leitura simbólica e pedagógica da metrópole. O Mirante
MASP é como uma homenagem que reconhece e valoriza a Paulista como um
dos nossos maiores símbolos urbanos.” “Em relação ao formato da torre,
creio que não nos cabe opinar, pois senão, estaríamos todos projetando
e isso não é possível. Nossa função é apoiar e ajudar a aprovar idéia,
sem nos envolvermos com a forma que ela vier a ter.”
Nesse
aspecto, a grande dimensão a ser valorizada é o fato da cidade poder
renovar mais uma vez aquele espaço, como uma espécie de passo adiante,
uma re-interpretação do terraço-mirante do Masp, concebido por Lina
Bo Bardi. Ou seja, devemos usufruir do aspecto simbólico da localização
daquele ponto, o primeiro do antigo Belvedere da primeira metade do
século passado, que foi valorizado pelo MASP na segunda metade desse
mesmo século e que agora será reinterpretado pelo Belvedere do MASP
neste inicio de século XXI”.
Relação
dos Participantes desta Coletânea
Lamentamos
apenas que a falta de maior prazo tenha impedido a participação de inúmeros
outros profissionais e líderes empresariais que haviam se disposto a
participar desde conjunto de opiniões relativas ao Mirante Masp.
Se houver a possibilidade deste prazo ser estendido, poderemos agregar
um número muito maior de opiniões e depoimentos de diversos profissionais
envolvidos de alguma maneira com esta questão. A íntegra dos textos
originais encontra-se à disposição dos interessados com os autores deste
trabalho.
Participaram
deste levantamento de depoimentos as seguintes personalidades, a quem
agradecemos a disponibilidade, opiniões e espírito de colaboração:
- Abram
Szajman, Presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo
- Alencar
Burti, Presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais
do Brasil
- Carlos
Bratke, Arquiteto, Ex-Presidente do IAB, Ex-Presidente da Fundação
Bienal de São Paulo, Ex-Presidente do Museu da Casa Brasileira
- Carlos
Heck, Arquiteto, Ex-Presidente Iphan, Ex-Presidente do Condephaat
- Celso
Vieira, Presidente do Sindelivre – Sindicato das Entidades Culturais
do Estado de São Paulo
- Cyro
Del Nero, Cenógrafo, Professor da Escola de Comunicação e Artes da
USP
- Danilo
Santos de Miranda, Diretor Regional do SESC – São Paulo
- Décio
Tozzi, Arquiteto, Vice-Presidente do IAB•SP
- Eduardo
Vampré do Nascimento, Presidente do SINDETUR – Sindicato das Empresas
de Turismo no Estado de São Paulo
- Gilberto
Belleza, Arquiteto, Ex-Presidente do IAB/SP, Curador da 6ª BIA – Bienal
Internacional de Arquitetura de São Paulo
- Heloisa
Proença, Arquiteta, Ex-Secretária Municipal de Planejamento de São
Paulo, Ex-Presidente da Emurb, Ex-Conselheira do Conpresp
- Henrique
Cambiaghi, Arquiteto e Urbanista, Ex-Presidente da AsBEA
- José
Carlos Ribeiro de Almeida, Arquiteto, Ex-Presidente do Condephaat
- José
Eduardo Tibiriçá, Arquiteto, Membro do Conselho da AsBEA, Membro do
Conselho do IAB, Diretor do Sinaenco
- José
Magalhães Jr., Arquiteto, Ex-Presidente do IAB/SP, Ex-Vice-Presidente
da EMURB
- Manoel
Francisco Pires da Costa, Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
- Marcos
Gadelho, Arquiteto, Ex-Presidente do Condephaat, Pró-Reitor da Universidade
de Guarulhos
- Marcos
Arbaitman, Ex-Secretário do Turismo do Município de São Paulo
- Nadia
Somekh, Arquiteta, Diretora da Faculdade de Arquitetura Mackenzie,
Ex-Presidente da Emurb
- Nelson
Baeta Neves, Presidente da Associação Paulista Viva, Presidente da
Associação Brasileira da Indústria de Hotéis
- Orlando
de Souza, Presidente do São Paulo Convention&Visitors Bureau
- Paulo
Sophia, Arquiteto, presidente do IAB-SP
- Pedro
Cury, Arquiteto, Ex-Presidente do IAB-SP, Curador da 6ª BIA – Bienal
Internacional de Arquitetura de São Paulo
- Pedro
Paulo de Melo Saraiva, Arquiteto, Ex-Presidente do IAB, Professor
da FAU Mackenzie
- Pedro
Taddei Neto, Arquiteto, Ex-Presidente do IAB, Ex-Presidente da Emplasa,
Ex-Coordenador Nacional do Programa Monumenta
- Raimundo
de Paschoal, Arquiteto, Professor de Urbanismo da Faculdade de Belas
Artes
- Romeu
Chap Chap, Presidente do Secovi-SP
- Sérgio
Teperman, Arquiteto, Ex-Presidente da AsBEA, Ex Vice-Presidente do
Sinaenco
Pesquisas,
entrevistas e texto final
- Marcio
Mazza, Arquiteto, Vice Presidente da AsBEA – Associação Brasileira
dos Escritórios de Arquitetura, Ex-Vice Presidente da Associação dos
Amigos do Museu da Casa Brasileira
- Rubens
de Almeida, Jornalista / MTB: 17.897/71
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