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04
Autor:
Editorial
Data: 25 de outubro de 2005
Documento: editorial “Veto à torre”, publicado no jornal Folha de São
Paulo
A decisão
do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp)
de vetar a construção de uma torre em edifício próximo ao Museu de Arte
de São Paulo – que geraria fundos para a instituição – não
veio amparada por argumentos definitivos e convincentes. O projeto,
convém lembrar, já fora aprovado pelo Condephaat (Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado
de São Paulo).
Soa como
sofisma dizer, como consta no parecer de uma conselheira, que a proposta
"interfere na escala de um bem tombado" e que a criação de
"um novo símbolo onde já existe outro (...) despertará inevitavelmente
uma disputa que resultará no enfraquecimento do caráter simbólico de
ambos".
O parnasianismo
da argumentação salta aos olhos ao ser aplicado à realidade arquitetônica
e urbanística da cidade de São Paulo. Não estamos falando da construção
de uma pirâmide no Museu do Louvre, em Paris, que despertou justificadas
polêmicas, mas acabou aprovada – e tornou-se um símbolo a mais
naquele espaço já carregado de significados. E o que dizer de conjuntos
que, em diversas cidades do mundo, se formaram ao longo dos anos –
ou dos séculos – com a reunião de edificações de vulto a outras
já existentes?
Ninguém
é obrigado a gostar do projeto da torre, e não é necessário senso estético
apurado para considerá-lo de mau gosto. Mas o mesmo aplica-se a inúmeras
outras situações urbanas paulistanas. Para não sair da avenida Paulista,
basta citar as torres metálicas de rádio e TV colocadas sobre edifícios.
Por acaso respeitariam alguma "escala"?
A decisão
do Conpresp livrou a cidade de uma obra duvidosa, que deveria, pelo
menos, ter sido objeto de um concurso público e mais bem discutida com
a sociedade. Mas não gostar de um projeto ou ver com reservas seus proponentes
não é justificativa legítima para vetá-lo.
[Editorial
do jornal Folha de S. Paulo, 27 de outubro de 2005, p. A2]
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