| Anexo
08
Autor:
Cecilia Rodrigues dos Santos
Data: 12 de novembro de 2005
Documento: Carta enviada para o “Ombudsman” da Folha de São Paulo [texto
não publicado até o momento]
Senhor,
Quero acreditar
que o jornal Folha de São Paulo, continua sendo um órgão de imprensa
com compromisso com a correção dos fatos que divulga, inclusive quando
emite opiniões sobre estes fatos; por isso estou me dirigindo ainda
ao ombudsman.
Refiro-me
ao editorial do dia 27 de outubro passado, "Veto à torre",
que me surpreendeu pela inconseqüência e irresponsabilidade de seus
termos e não, é preciso deixar claro, pelo seu posicionamento. Trabalhei
muito tempo na imprensa, para ousar argumentar contra o direito de expressão.
As questões
relativas ao Patrimônio Cultural não são "uma questão de gosto".
Estamos tratando de uma área do conhecimento estruturada, regulamentada
por leis na sua gestão, que inclui legislar sobre a ambiência de bens
tombados, que é do que se trata no caso do veto à torre que se pretendia
construir na vizinhança imediata do MASP.
Se o editorialista
pretende discutir idéias e conceitos embasados numa longa história de
produção de conhecimento, nacional e internacional , e inclusive discutir
a validade de leis em vigência, esperaríamos que se informasse minimamente
sobre o problema para não dizer bobagens e afirmar inverdades como foi
o caso, e para não incorrer em acusações graves e desrespeitosas ao
Conpresp – conselho nomeado pelo prefeito de São Paulo composto de representantes
da sociedade e trabalhando com apoio técnico do Departamento de Patrimônio
Histórico da Secretaria Municipal de Cultura – como quando insinua que
o conselho teria indeferido o projeto por “ver com reservas os seus
proponentes”.
Para completar,
este jornal vinha ignorando a carta de esclarecimento da conselheira
relatora desse processo no Conpresp, Dra. Monica Junqueira Camargo,
aceitando finalmente incluir um resumo da carta no Painel do Leitor,
quando ela deveria ser publicada na íntegra, como direito à resposta.
Ao constatar
esses fatos e a prevalecer esta atitude, fácil seria o leitor concluir
que a Folha estaria a comprometer sua postura ética e a sua independência
ao comentar os fatos em editoriais.
Grata pela
atenção.
[Cecilia
Rodrigues dos Santos, arquiteta]
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